Terça-feira, Julho 28, 2009

Mudando o assunto..*

Andei lendo e assistindo reportagens e depoimentos sobre a polêmica lei do Prefeito de São Paulo sobre a proibição dos fretados no centro expandido da cidade, com a justificativa de melhorar o trânsito.
Na verdade, nada me espantou tal medida, visto que ela é somente mais uma prova da priorização que o transporte individual sempre teve na cidade, mesmo antes desta conhecer o boom dos automóveis nos anos 50, começando com a criação das nossas Marginais.
Algumas coisas precisam ser bem entendidas antes de ser favorável ou contra a lei. A manifestação de ontem na Marginal(irônico, não?) mostrou todos aqueles trabalhadores da classe média que optaram pelo fretado pois não encontram um transporte público capacitado para a demanda que a cidade oferece. Mas isto não quer dizer que todos aqueles que estavam lá na manisfestação tenham a consciência de que realmente a cidade precisa sim, pensar menos na individualização do transporte e sim, melhorar os nossos onibus, trens e metrôs, poderiam estar lá somente por terem sentido que, se a lei vigorar, terão menos conforto e levarão mais tempo para chegar ao trabalho.
Em uma destas reportagens eu li que uma família inteira que usava o fretado para ir ao tarabalho foi, neste último sábado, nesses mega feirões de alguma concessionária comprar carros. Sim, eles compraram 3 carros, um para cada um, e abominaram a idéia de utilizar o ônibus, o metrô, ou qualquer outra forma de locomoção.Imaginemos se cada pessoa usuária de fretados, com condições financeiras comprar um carro, ou mesmo utilizar o que está na garagem...bom, prefiro nem imaginar.
Que o fretado foi uma medida emergencial e capitalista para "resolver" o problema do transporte eu concordo, mas já que observamos que é uma opção que funciona e tira tantos carros na rua e de certa forma, desafoga alguns vagões do metrô, por que não organizar seus trajetos, suas paradas?Pois estas sim, prejudicam o fluxo dos automóveis nas grandes vias. Ou mesmo, criar corredores para sua circulação, horários em que estes podem circular, etc.Obviamente a implantação de uma lei para proibir estes imensos automóveis de circular nas ruas é uma medida muito mais rápida e fácil, e não gera custo para o cofrinho do Prefeito. Um planejamento para o caos do nosso trânsito, com todas as opções que coloquei e mais algumas que os planejadores urbanos possam propor necessita de tempo, organização e boa vontade, algo que, a cidade de São Paulo não está acostumada e nem cresceu desta forma.
Mania deles(ou nossa,como arquitetos) de apagar velhos incêndios. Alargamento da Marginal, Proibição de fretados, aumento da tarifa de ônibus, os"amarelinhos", são medidas que não funcionam. E tem outra, esta locomoção se dá por não conseguirmos criar "centros" nos bairros mais afastados, em que a população possa encontrar trabalho e alguns equipamentos para não precisar se locomover até os grandes "monumentos" criados pela especulação imobiliária.
O Metrô está crescendo, e com ele vem alguma esperança de inovação. Quem sabe, a partir dele, a nossa mentalidade pequena e bem burguesa possa evoluir para sabermos, numa próxima manifestação, qual a real reivindicação da população.

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