Eu sonhei que meu telefone tocava e você pedia minha atenção do outro lado.
Ouvia sua voz e eu respondia. Um silêncio permaneceu, e assim ficou, pelo resto do sonho ,pelo resto dos meus dias.
Segunda-feira, Outubro 27, 2008
Da janela eu ainda vejo luz.*
Quando eu era criança eu não entendia a razão da escolha dos apartamentos de 2 dormitórios ou mesmo a sua possibilidade de venda, pois, para mim, não tinha sentido uma família não ter três dormitórios, pois eu tinha um irmão, e todo mundo deveria ter um irmão também, todo mundo deveria ter três quartos.
Eu não entendia muitas coisas.
Continuo não entendendo muitas coisas.
Lembro do dia em que descobri que há pessoas que, na pressa e na ansiedade que move toda esta vida pequena, de repente se vêem sem saber o que fazer com as pessoas que colocaram ali, no seu terceiro quarto.
Eu pedi licença à elas, aos poucos vejo a porta ser fechada.
Eu não entendia muitas coisas.
Continuo não entendendo muitas coisas.
Lembro do dia em que descobri que há pessoas que, na pressa e na ansiedade que move toda esta vida pequena, de repente se vêem sem saber o que fazer com as pessoas que colocaram ali, no seu terceiro quarto.
Eu pedi licença à elas, aos poucos vejo a porta ser fechada.
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
De conversa de vagão.*
A gente pode parar de pensar tanto e ouvir mais os conselhos alheios:
- Sujou como?
- Num sei não, escostei na mesa do restorante e sei lá, deve ter sido o molho...
- Hum..sabe o que cê faz?Passa sabonete,mas tem que ser de barra.Mas assim ó, presta atenção, tem que moiá bem,mas móia bem mesmo, os dois lados da camisa.
- Sério?
- Sim, fica branquim, branquim,tô te falando.Você móia bem e esfrega o sabão nela.Mas não esquece, tem que moiá bem os dois lados, senão a mancha vai ficar ai ó,até nunca mais sair.
- Sujou como?
- Num sei não, escostei na mesa do restorante e sei lá, deve ter sido o molho...
- Hum..sabe o que cê faz?Passa sabonete,mas tem que ser de barra.Mas assim ó, presta atenção, tem que moiá bem,mas móia bem mesmo, os dois lados da camisa.
- Sério?
- Sim, fica branquim, branquim,tô te falando.Você móia bem e esfrega o sabão nela.Mas não esquece, tem que moiá bem os dois lados, senão a mancha vai ficar ai ó,até nunca mais sair.
De cumplicidade.*
Está tudo escuro mas ainda consigo ver a diferença das cores que me protegem do frio.
Se eu pudesse gritar, eu não seria a mesma.
Se eu pudesse querer, mas eu não posso.
Se eu pudesse gritar, eu não seria a mesma.
Se eu pudesse querer, mas eu não posso.
Domingo, Outubro 19, 2008
Você gosta.*
Se você não existisse, eu te inventaria.
Como não sei se você existe, tenho medo de criar cópias por aí.
Como não sei se você existe, tenho medo de criar cópias por aí.
Sábado, Outubro 18, 2008
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
De duas, uma.*
A gente é aquilo que a gente pensa
A gente é aquilo que eles pensam da gente
A gente é aquilo que a gente quer mostrar
A gente é aquilo que a gente não mostra
A gente fala alto quando quer ou quando não controla
Basta escolher.
A gente é aquilo que eles pensam da gente
A gente é aquilo que a gente quer mostrar
A gente é aquilo que a gente não mostra
A gente fala alto quando quer ou quando não controla
Basta escolher.
Quando eu falava...*
Falo dos dias quentes, aqueles de céu de verão, da janela do edifíco a beleza fixa na poluição.
Falo dos dias em que não é preciso sentir falta, nem de mim, nem do vagão perdido.
Falo sem pressa, aliviada pelo teu não comparecimento.
Quanto mais longe estás, mais verão são meus dias.
Falo dos dias em que não é preciso sentir falta, nem de mim, nem do vagão perdido.
Falo sem pressa, aliviada pelo teu não comparecimento.
Quanto mais longe estás, mais verão são meus dias.
Terça-feira, Outubro 07, 2008
De sempre querer.*
Ela sentiu falta.Ele também.
Ele sorriu quando a viu.Ela guardou o sorriso.
Nem sua saia colorida tirava a atenção dele, como se os olhos fossem naquele momento exigidos para algum lugar que ele nem mesmo sabe onde é.
Ele fez igual quando inventou uma desculpa para cruzar com ela no corredor.
O assunto é a maturidade.Ele acha que ela acha que ele domina e que pode impressionar.
Ela acha tudo tão bonitinho que prefere se calar.Ela guarda o sorriso.
Ele sorriu quando a viu.Ela guardou o sorriso.
Nem sua saia colorida tirava a atenção dele, como se os olhos fossem naquele momento exigidos para algum lugar que ele nem mesmo sabe onde é.
Ele fez igual quando inventou uma desculpa para cruzar com ela no corredor.
O assunto é a maturidade.Ele acha que ela acha que ele domina e que pode impressionar.
Ela acha tudo tão bonitinho que prefere se calar.Ela guarda o sorriso.
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!*
Aquele caminho que não se percorre não é percorrido pelo simples fato de não ser o caminho.
Não tenho as dores da madrugada ao pensar que poderia estar lá, não aqui.
Sem cometer a injustiça da falta.Eu não suportaria atravessar o semáfaro fechado ao seu lado.Suporto a minha digestão na espera do sinal verde, cometendo o meu pecado na gula de percorrer.
Não tenho as dores da madrugada ao pensar que poderia estar lá, não aqui.
Sem cometer a injustiça da falta.Eu não suportaria atravessar o semáfaro fechado ao seu lado.Suporto a minha digestão na espera do sinal verde, cometendo o meu pecado na gula de percorrer.
Sexta-feira, Outubro 03, 2008
Ele e eu, assim, iguais.*
O cheiro veio de longe, não, veio de perto.
A sacola abriu e ele saiu, assim, livre, como quem não pede licença, como quem nem sabe que faz ali.No jornal ele se fez eterno, ou melhor, durável, com a data de validade apagada na embalagem. Nas notícias velhas, enrugadas, amassadas e sujas ele transborda a sua juventude.
Eu, olfato aguçado, com o olhar para aquele ponto sempre alcançado no final do vagão quando os corpos, mesmo finos e leves, atrapalham o quadro que pinto. Encontro o cheiro dentro da sacola laranja, chamando minha atenção pelo barulho que o jornal fez ao ser retirado dela.
O caderno é de esportes, o que me sugere certa tranquilidade quando supri minha curiosidade ao movimentar a cabeça para o lado e pegando emprestadas as letras daquela notícia. Tranquilidade pois tudo no esporte muda, amanhã a notícia é outra,e elas correm como quem busca o primeiro lugar, os jornalistas com a mania do olhar sempre externo fazem os mesmos discursos e os jogadores,na maioria das vezes, fracassados e um pouco fora do peso,...bom, não precisamos nem comentar.
Sem encarar o personagem principal me dou conta das suas unhas,movimento a cabeça e mais uma vez encontro o cheiro.Vem dele, vem da sacola, vem das informações velhas que comprovei ao ver a data na lateral superior esquerda, vem da bagagem que ele carrega todos os dias, vem do ponto fixo no final do vagão, vem de mim.
A sacola abriu e ele saiu, assim, livre, como quem não pede licença, como quem nem sabe que faz ali.No jornal ele se fez eterno, ou melhor, durável, com a data de validade apagada na embalagem. Nas notícias velhas, enrugadas, amassadas e sujas ele transborda a sua juventude.
Eu, olfato aguçado, com o olhar para aquele ponto sempre alcançado no final do vagão quando os corpos, mesmo finos e leves, atrapalham o quadro que pinto. Encontro o cheiro dentro da sacola laranja, chamando minha atenção pelo barulho que o jornal fez ao ser retirado dela.
O caderno é de esportes, o que me sugere certa tranquilidade quando supri minha curiosidade ao movimentar a cabeça para o lado e pegando emprestadas as letras daquela notícia. Tranquilidade pois tudo no esporte muda, amanhã a notícia é outra,e elas correm como quem busca o primeiro lugar, os jornalistas com a mania do olhar sempre externo fazem os mesmos discursos e os jogadores,na maioria das vezes, fracassados e um pouco fora do peso,...bom, não precisamos nem comentar.
Sem encarar o personagem principal me dou conta das suas unhas,movimento a cabeça e mais uma vez encontro o cheiro.Vem dele, vem da sacola, vem das informações velhas que comprovei ao ver a data na lateral superior esquerda, vem da bagagem que ele carrega todos os dias, vem do ponto fixo no final do vagão, vem de mim.
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