Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Equação.*

Minha capacidade de amar é tanta que eu conseguiria abraçar o mundo todo.Mas o mundo todo não absorve tanto amor.
Parte dele é podre,vencida.E nada posso fazer.
A não ser, amar o que restou.

Segunda-feira, Agosto 25, 2008

De qualquer coisa dentro.*

Não escrever é como acordar sem respirar.
De todos os meus medos,outros surgiram.Na sensação no naufrágio perante a ilha que me cercava.A minha luz tem o dia mais colorido,é como superar para vencer.
Te gosto e me gosto, mas não sei gosto dos dois juntos. Não quero meu corpo como quadro intocável frente a uma corda vermelha sendo ofuscada por câmeras caseiras.Não preciso de você, mas ao mesmo tempo sinto o tempo em que não entendo sua fala. Não gosto dos amadores e me irrito com quem não lê, pelo menos as placas de trânsito, para não se perder.
Ultimamente reparo nos cabelos e principalmente no meu. Tenho dado certa importância para roupas alinhadas e perfumes caros, acho que mudei. Olho com mais calma e não me esqueço nunca de quem um dia disse que me amava, que ainda ama ou que um dia vai amar.
Ele (o mesmo, ou o outro mas com nome diferente):
- ......
Ela(com o mesmo nome, mas outra):
- .......
-Me dá uma carona?
-Pra onde você vai?
-Você pode mover seu rosto?O sol não me deixa ver seu olho.
-É castanho mesmo, sem surpresas.
-....
-E aí?Vai me deixar entrar ou não?

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Tem beleza.*

- Você fala de mim?
- Só falo de você para minhas amigas, para algumas, não todas.
- Mas..você fala tudo?
- Não, sou meio reservada,você sabe. E tem coisas que só eu devo saber.
- Eu também falo de você.Mas não vou te falar pois são detalhes,e não costumo falar de detalhes.
- Poxa,mas me conta algum, só um.
- Defeitos ou qualidades?
- Você escolhe.
- Eu gosto de você,e gosto de você deste jeito.

Foi o suficiente para ela dormir em paz.

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Care about your house of cards and I'll deal mine.*

Ultimamente minhas atividades,além da produção, são de eliminação.
Apagar pessoas, vozes, frases, sensações e cores.
Não é nada fácil.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Algo como uma justificativa.*

Penso como as palavras são capazes de entrar em nós.E causam nós.E desatamos os nós,com as palavras,palavras que inventamos,que estão em livros,que ouvimos na esquina e que invadem.E podem mudar,se a gente deixar elas entrarem.
Feliz sou por compreender o poder delas em minha vida,mesmo quando ditas em silêncio,mesmo guardadas neste mundo criado aqui por por mim,por todos que dependem delas para extrair e respirar.Espaços como este que proporcionam liberdade,ocasionando o encontro de frases,as minhas,as suas,as feitas que compramos na prateleira,num tempo qualquer,sem tempo de querer ter pressa.
[do comentário para uma postagem]

Segunda-feira, Agosto 11, 2008

De como deve ser o parabéns.*

A gente leva anos e anos para descobrir o que a gente quer pra gente.
Tem gente que nunca descobre,tem gente que não é.
Tem gente que entra na vida da gente e ajuda a gente ser a gente.
Tem gente que me faz ser mais.E é esta gente que fica,que fica,pra sempre.

As coincidências me assustam.* [sobre vida e filme]

A sabedoria ensina que,em se tratando de certos acontecimentos deve-se dar tempo ao tempo.As emoções nem sempre abrem espaço a verdade objetiva e,por vezes,funcionam como lentes desfocadas de velhos binóculos que aproximam as imagens,mas não permitem identificar seus reais contornos.
O impacto da morte de alguém próximo,de uma derrota,de uma relação fracassada,produz estímulos contraditórios como ventos ciclônicos girando em torno do mesmo ponto,levantando poeiras que custam a se assentar.Busca-se,imediatamente,o culpado;o amor ferido exige,no tribunal das paixões,a réplica do ódio ostentando sua verve,espada vingativa que antes dilata as cicatrizes que se queriam fechadas.O raciocínio,de mãos dadas com a lógica,perde-se nos labirintos indecifráveis dos sentimentos magoados,traídos,roubados,apunhalados. Por mais que se converse à procura de causas e explicações,o calor do fato inflama a objetividade e o ruído das palavras desconexas,abundantes,espalha-a aos ares como cinzas de uma fogueira que cega os olhos.

Nada mais profundo que a saudade do provir.

Peregrina confiante,leva na mochila lembranças que já doeram,mas que agora trazem frutos que só ela saboreia,e experiencias que não tiveram o êxito esperado,das quais,contudo,guarda importantes lições.
Foi com a sabedoria que ela se calou por anos,por décadas,pela vida.Acredita que a verdade está no todo e não em retalhos episódicos.Não cabe a ela decifrar detalhes e enigmas,não!Não cabe a ela o anoitecer.Cabe à ela o conhecimento,dela,só dela,e de mais ninguém.

Domingo, Agosto 10, 2008

Está tudo bem.*

Aquela faca abriu aquela ferida que insistia em cicatrizar.Mas eu não deixei.O sangue se mostrou muito mais sujo e difícil de correr.Eu não deixei,eu nunca deixo.Eu insisto em ver o sangue,mesmo não sendo meu,mesmo não sabendo quem eu sou.Só quando vejo o sangue é que percebo que sou a contradição que sempre quis ser,mas não sei viver.
Se ele lembra de mim?Nunca,ele nem me conheceu.