Quarta-feira, Julho 30, 2008

De moderno demais.*

Os corpos tem medo de não serem encontrados.
Este é o horror que não fecha nos olhos.
Mentira dizem aqueles que se escondem.
Mentira é aquilo que a maioria gosta de dizer.
As mentiras começam nos horrorizados.

Terça-feira, Julho 29, 2008

Não há tudo aí.*

Eu me apaixono pelas verdades das pessoas.
No rasgo na pele, no branco nos olhos, no cabelo bagunçado, na voz rouca ao acordar, no mau gosto musical, na discordância verbal, na curiosidade, no não querer, na fragilidade, no esquecimento, na atenção, na cópia, na dança, no choro, no não saber, na chuva e no coberto.
A todo instante, chega a ser incontrolável.

Sexta-feira, Julho 25, 2008

Estrangeira.*

Não,não é necessário a leitura.
Eu escrevo para analfabetos.

De tudo e mais um pouco.*

De tão velha,tem cheiro,tem sabor mas não tem cor,não tem mais textura e torna-se raro.
Se eu soubesse de tudo eu não vestiria a camiseta amarela que você me emprestou naquela manhã.Nem te contei que ela ficou apertada e um tanto curta.Pela noite eu expandi,e nada mais me cabia, nem a voz, nem a música, nem o buraco da janela para um último trago no cigarro.
Tudo que eu sei é que gosto da cor,eu lembro quando me disse, quando eu olhava no espelho buscando algum defeito sobre minha pele que você poderia não gostar,talvez nas minhas sardas mal acabadas.Eu lembro quando me disse que eu poderia deixar o cabelo solto e não mais me importar.
Se eu soubesse de tudo eu não pediria alguma viagem ou mesmo alguma música para me distrair,eu não abalaria corações vazios e nem perguntaria como chegamos ao amor.
Por não saber de mim, sei dos autores. Olhei, grande que estou, para seus pés, miúdos, e recordei Machado de Assis, "O presente que se ignora vale o futuro".

Sábado, Julho 19, 2008

A gente agora já não tinha medo.*

Alô?
Oi,ela está sim,faz o seguinte:
Tá vendo aquele corredor?Então,você segue e vire à direita nas poesias,caso esteja muito longo,você pode cortar caminho pelas letras ainda caídas.Siga reto e pode ultrapassar(mas com cuidado) aqueles parágrafos,respire a cada vírgula encontrada e não desista,logo você chega.Quando encontrar uma placa escrita,aliás,em branco,esperando a escrita, você chegou.
Mas por favor,cuidado.
Ela não é nenhuma mulher maravilha e muito menos feita de aço.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Bambeia,cambaleia,é dura na queda.*

Eu gosto é de trabalhar.
Na verdade eu não gosto,quem gosta é a minha cabeça.


Terça-feira, Julho 15, 2008

Melhor amiga.*

Tem coisas que só eu sei sobre mim.

Domingo, Julho 13, 2008

Quem não sabe nada,se cale.*

Muda já estou.Se não escrevo,sou muda.
De todo o sacrifício da humanidade,o mais perigoso é o silêncio.
Ele é o grito que mais dói ao ser ouvido.

Sábado, Julho 12, 2008

Poltrona.*

Amigo senta comigo e traduz aquilo que acredito.
Ele disse que a verdade vem.A verdade sempre vem.Ela vem pra quem a quer.
No meu silêncio,ela veio.Na minha não atuação ela entope as veias das pessoas que um dia buscaram algo para se sustentar e hoje se vêem diluidas nos horrores do não ser,do não ter,do não saber.
Pena daqueles,sorte a minha.

Quinta-feira, Julho 10, 2008

Não mais para absorver.*

Eu não acredito nas pessoas.
As pessoas traem.As pessoas não são.
Eu acredito nos acontecimentos.
Os acontecimentos são fatos.E fatos são indiscutíveis.

Terça-feira, Julho 08, 2008

Manifestações tardias,mas necessárias.*

Ele não me perguntou,mas eu respondi.
- Eu não beijei você pois achei que sentir o efeito produzido pela repressão da minha impulsão seria mais interessante naquele momento.

Gosto assim.*

Vou sumir por uns tempos.Cansei de falar das outras vidas e dos sapatos que vejo pela rua.Vou sumir por uns tempos,tá?Eu tenho celular,talvez possa me encontrar,mas inventaram o identificador de chamadas,o que me dá agora mais uma escolha,falar com você ou não.Ai, e isto é muito difícil,me sinto na obrigação de atender alguém no meio da tarde só porque ela me ligou.O identificador de chamadas faz isto com a gente.Quem disse que eu queria falar com você?Só porque eu atendi?Eu não poderia encontra-lo na rua,assim,sem querer e depois perceber a falta que você me fez,ou não me fez?
Vou sumir por uns tempos,vou dar uma de menina contemporânea-com crises de identidade-que sai sozinha- observa sua vida-dorme cedo-e tem pavor de relacionamentos duradouros.
Vou sumir por uns tempos,assim,não por muito tempo,vou só experimentar e me focar.Não é assim que os modernos diziam?Que temos que ter foco?Isto,foco!Acho que sim,não custa tentar,sumir por uns tempos e sei lá,me perder por aí,não é assim que os independentes falam?Se perder por aí!
Vou sumir por uns tempos para tudo ser mais fácil.
Quem disse que só o incompreensível é bom?

Escolinha para adultos.*

Ela não sabe o que é amizade,e nunca vai saber.
Ele não sabe o que é compartilhar,e nunca vai saber.
Ele não sabe decidir,e nunca vai saber.
Ela não sabe disfarçar,e nunca vai saber.
Ele não sabe dançar, e nunca vai saber.
Ele não sabe dizer não, e nunca vai saber.
Ela não sabe o que é construir,e nunca vai saber.
Eles não sabem.
Eu não sei mais tentar.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

De sentir falta.*

Há dois anos atrás eu escrevia um livro.Grande,capa dura e nada atrativa.Das cores eu me lembro do cinza,do som,uma certa agonia ao buscar as palavras nas suas páginas.Há dois anos eu coloquei ele na minha prateleira,junto com os outros,assim,seria possível admirá-lo na hora da limpeza.
Há dois anos eu tento escrever lá dentro,ás vezes acho que criei outra língua para assim,nem eu mesma entender o que foi registrado ali.Eu tento escrever e tento publicar,e tento ser famosa,quem sabe um dia.Eu tento escrever,e tudo o que escrevo não faz sentido,com a capa,as normas da editora,o público alvo.
Há dois anos ele está fechado,exclusivo para minha leitura.Um livro raro,que brilha,que me busca,quando precisa ser lido.

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Bolo e guaraná.*

A vida embaralha minha cabeça.
Eu tenho 27 anos.