Segunda-feira, Agosto 11, 2008

As coincidências me assustam.* [sobre vida e filme]

A sabedoria ensina que,em se tratando de certos acontecimentos deve-se dar tempo ao tempo.As emoções nem sempre abrem espaço a verdade objetiva e,por vezes,funcionam como lentes desfocadas de velhos binóculos que aproximam as imagens,mas não permitem identificar seus reais contornos.
O impacto da morte de alguém próximo,de uma derrota,de uma relação fracassada,produz estímulos contraditórios como ventos ciclônicos girando em torno do mesmo ponto,levantando poeiras que custam a se assentar.Busca-se,imediatamente,o culpado;o amor ferido exige,no tribunal das paixões,a réplica do ódio ostentando sua verve,espada vingativa que antes dilata as cicatrizes que se queriam fechadas.O raciocínio,de mãos dadas com a lógica,perde-se nos labirintos indecifráveis dos sentimentos magoados,traídos,roubados,apunhalados. Por mais que se converse à procura de causas e explicações,o calor do fato inflama a objetividade e o ruído das palavras desconexas,abundantes,espalha-a aos ares como cinzas de uma fogueira que cega os olhos.

Nada mais profundo que a saudade do provir.

Peregrina confiante,leva na mochila lembranças que já doeram,mas que agora trazem frutos que só ela saboreia,e experiencias que não tiveram o êxito esperado,das quais,contudo,guarda importantes lições.
Foi com a sabedoria que ela se calou por anos,por décadas,pela vida.Acredita que a verdade está no todo e não em retalhos episódicos.Não cabe a ela decifrar detalhes e enigmas,não!Não cabe a ela o anoitecer.Cabe à ela o conhecimento,dela,só dela,e de mais ninguém.

0 comentários: