Domingo, Julho 29, 2007

Tempo.*

[eu finjo ter paciência]

Sexta-feira, Julho 27, 2007

...*

amor é costume.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

Toda manhã.*

Não é especialmente bonito,nem especialmente tentador
Não tem o frio que faça eu buscar a lã nem o calor que me faça prender o cabelo
Tem sua graça,seu brilho natural,algum labirinto que gosto de percorrer
Não é tão saboroso quanto a sensação do vento no rosto dos últimos dias
Nem tão amargo que não se possa saborear
Tem seu tempo e sua memória,grita nos meus ouvidos a sua justificativa de ser assim,escorre pelas minhas mãos por todo instante,sinto o peso da palavra que não quer sair,talvez porque não exista palavra alguma.Sem a certeza,sigo.De uma forma nebulosa e medonha,eu sigo.Cambaleando pelas ruas estreitas e sem oxigênio,eu sigo.O sorriso da esquina não me faz mais feliz.
Sou como um vento que ultrapassa as janelas abertas das casas com as certezas,que não traz nenhuma notícia,percorre por todos os andares e cômodos,mesmo aqueles mais imundos,e não traz nenhuma notícia.Não satisfeita,busco alguma outra saída,que possa me levar para onde este caminho quiser me levar.
Poderia debruçar meu peito sobre uma respiração e tentar acompanhá-la,mas morrerei assim,sem ar.
Posso tudo,ainda posso.
Ainda pulsa,muito.



Terça-feira, Julho 17, 2007

Conselho.*

cuidado
cuida-do
cuida do que?

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Antes do nascimento.*

Ele olhou sua mulher como no dia anterior.O dia anterior foi difícil,suspirou.Ontem ele chegou em casa e largou sua pasta na mesinha de canto,como quem joga a esperança num canto qualquer.
Hoje ele não quer acordá-la.Ele tinha a estranha mania de se fechar e concluía que ninguém tinha que saber das suas dificuldades.
Ele entrara no quarto dos filhos.Enquanto caminhava no corredor comprido e estreito,criava uma música na sua memória,para que assim,eles adormecessem em paz.Ao enunciar a primeira palavra guardada ele percebe que seus filhos já dormiam.
Ele olhou para a janela ontem.Hoje ele estava em frente da mesma janela,na mesma posição,no mesmo horário e vestindo a mesma camisa.
Hoje ele olha pelo que resta da fresta que a cortina esqueceu de cobrir.

Pingo.*

Quanto tempo você consegue ficar debaixo d’ água?
Desde criança brincamos disto, até ficarmos roxinhos, achamos graça e tiramos sarro daquele que fica menos tempo.
Lembro de sempre conseguir mais, sempre nadei e sempre tive fôlego, depois comecei a fumar, beber, dormir tarde, trabalhar, parar de nadar e suas forças vão se acabando, e o que resta é tentar de novo, pronto, você viu que não é mais o mesmo.
Sua mãe lhe trata como antes, seu pai a vê como uma menina, e você aceita, para o bem deles, para a história deles ter continuidade você aceita e se submete a comportamentos antes não vividos, só para agrada-los, por amor.Eles não te conhecem.

Éramos tão grandes, tão importantes que o mundo acabava ali.
Lembro que aprendi a ter a poesia na minha vida, a aprender a ler, a apreciar belas palavras, as românticas palavras que os mais belos românticos diziam, e acreditava nas linhas intercaladas, que a cada separação existia um suspiro, uma respiração se preparando para uma nova estrofe, uma nova absorção do mundo em volta.
Sonhava com os escritores sentados em suas escrivaninhas, pequenas, de madeira escura, num quarto quase sem iluminação, com um cigarro ao lado e a fumaça confundindo com a luz entrando pela janela.Ninguém batia na porta, ninguém incomodava, na verdade não sei se teria alguém para incomodá-los, eles já eram suficientes para traduzir a palavra incomodo.
Nunca pensei no que eles pensavam, daí criei os meus pensamentos, não tentando ser igual, mas eu tinha uma escrivaninha escura também, e ali eu ficava.
Quando a chuva caia era melhor ainda, os pingos batiam no vidro da janela e traziam inspirações.A chuva é melancólica, inspira o momento solitário de qualquer ser sensível, seu barulho nem incomoda, ele é resultado dos obstáculos criados pelo ser humano para a sobrevivência e para sua vivência, umas boas, outras ruins, mas vivências.

O melhor é entender a diferença entre a chuva batendo na sua janela e na grama de um campo isolado.

Sábado, Julho 14, 2007

Tradução,enfim.*

Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida
Onde ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado.

[É,a gente ainda tem as músicas]

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Merda.*

tenho cinco parágrafos do meu livro.comecei ontem,sentada
eles nasceram com uma velocidade incrível,precisei de dez minutos e estava tudo lá
hoje preciso escrever um livro todo,outro,mas inteiro
e não sai uma mísera palavra
merda.

Terça-feira, Julho 10, 2007

Gracia.*

....(se puede leer de muchas maneras distintas,haciendo recorridos que son complementares como acercamientos parciales)

me comprenda sin palabras.la lengua hablada.la lengua escrita.nuestra lengua natal.
me gustaria su mas delicada palabra dentro de mí. y la solución la encuentra en mi escrita.voy poco a poco redescubriéndola,no podría resistir.
és llegar en el silencio.el silencio que soñaste.verlo ante mi y perguntarte,mientra tu me observas.hacer todas esas preguntas que pensaste en noches de insomnio y que había guardado em mi interior.y tu silencio me contesta,me revela sus secretos.puedo en el leer,como en un libro,todas las letras,las pequeñas.
la noche está llena de imágenes y recuerdos.en un momento de ligero sueño,se aparecen mi palabras.tenemos intencion de llegar a amanecer del día seguiente con nuestras palabras.correctas.
y a hora lejos,en el mar,los sueños se encuentran,atravesando el silencio.
escucha mi palabras con los ojos.
sueña despierto y creálas de nuevo en tu imaginación.

Segunda-feira, Julho 09, 2007

Dança.*


às vezes eu acho que ele quer gostar de mim,sabe?mas não consegue.

e às vezes eu quero gostar dele,mas não consigo.

[papo de menina.fim de feriado]

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Novo de novo.*

ele decidiu colocar todos os seus livros na prateleira e utilizá-los em algum momento propício,não neste.ele está escrevendo seu próprio livro,de vida real,de vida que sente,da vida que vive.lembrei-me de vocês,das suas vidas agora,dos seus momentos e de muitos que seguem o mesmo caminho.compartilhar uma vida com alguém e tornar isto bonito,por mais desgastante e difícil que isto seja.criar o verdadeiro da vida.
o que me fez pensar são as vidas das palavras que esvaem em qualquer suspiro,como este que derramei sobre minha mesa.chego no ponto da minha vida em que isto não me alimenta mais,o que antes era apaixonante hoje não é mais,a poesia encontrada nas bocas mais vividas e intensas não me encanta mais,elas voam.busquei,sem querer,algo que me alimentasse e não encontrei,nem por um momento,como antes.eu sempre fui assim,as pessoas me conquistam,entram em mim com certa dificuldade,mas quando entram,entram por inteiro,é uma troca completa.ao mesmo tempo,se estas me inibem de qualquer movimento espontâneo,eu me torno palavra vazia.
ainda gosto das conquistas,dos olhares,do não saber,mas que isto seja real,sem declarações ao vento,sem palavras bonitas em textos sem dono,mas sim com meu nome falado com todas as letras na boca certa,para eu saber que,naquele momento,foi necessária minha presença,que eu toquei e fui tocada,sentir o peso da mão sobre mim, que o amanhã é amanhã.quero um livro cheio,página por página,lido e relido,mas sem folhas em branco,com letras que me fazem crescer,é disto que preciso,deste momento,só por um segundo.preciso da verdade,como sua cortina nova,como sua parede colorida.
sinto falta disto nas pessoas.

Novo.*

algumas respirações e estou pronta
pode demorar um pouco,mas o caminho é desejado
e vou chegar
já chorei demais
cansei
quem quiser,me acompanhe
estou cansada mas posso mostrar
cansei.

Segunda-feira, Julho 02, 2007

Ainda.*

minha mãe achou uma caixa com todas minhas agendas.sim,todas.eu nem lembrava da existência delas,das suas capas e nem da minha letra.
abri uma página:
"...fui jogar vôlei na rua hoje.aí,o renato começou a piscar pra mim,me mandar beijo,sabe?também,criança do jeito que ele é!aí ele foi pegar a bola e passou a mão na minha cintura,me agarrou mesmo.tá,aí eu bati nele de quase chorar.aí ele passou de novo,aí eu bati,xinguei e virei a cara pra ele.trouxa,quem ele pensa que é?..."
[por mariana cicuto barros,1993.ela tinha 12 anos.]

Quadro.*

é,acho que é isso.não tem como eu fugir.
sou o lírico dos olhos cheios de lágrimas e dos corações abertos
das palavras que querem falar e ninguém consegue
sou a poesia perdida nas esquinas e nas bossas desconhecidas
sou o meandro do rio infinito
sou aquela curva com sentido único
sou a inspiração
até o momento da realização
saio de cena
e preencho outras
e assim eu vivo,assim eu acho que isso é vida
faço parte da não parte da vida
crio minha participação
morro em mim
ninguém
o que resta é compor,novamente,novamente
é,eu acho que é isso.não tem como eu fugir.

Domingo, Julho 01, 2007

Infância.*

eu olho pro chão.o buraco me afunda e piso,não ,não piso.flutuo.flutuo e respiro.como antes do ocorrido,antes do momento que as nuvens pousaram sobre mim.sobre meus cabelos que balançaram e esconderam e avançaram meu pelo rosto tímido e vermelho.ele quer ser mostrado,ele quer ser apresentado pelo céu.meu quadril se movimenta de acordo com o seus pés,que buscam nos meus um ultimo respiro,um ultimo sussurro.meu olhar busca sua pálida expressão de satisfação,para entrar pelas minhas veias e congestionar todo o caminho do sangue que,há tempos atrás,não conhecia meu mais novo comando.impossível não notar a sutileza dos passos firmes que marcaram aquele caminho,das marcas que foram deixadas,para serem vividas,enquanto morriam sob o palco dos que temem o amor.dos que cometem suicídio pelo simples não querer o não prazer e a não paz do amor.
agora eu olho no fim do corredor.pouso minha pele sobre seu corpo.encaro seu imenso olhar com a cumplicidade antes não vivida.subimos.as marcas vivas,os passos firmes,a pele tímida,e nós,entre o mundo dos que temem o amor.