Domingo, Junho 24, 2007

Um dia assim,sem querer.*

Ele disse que gostava de ler.E que,de tanto gostar virou professor,e sente falta desta vida.
Acho que a mesa daquele bar trouxe lembranças.Na verdade ela nem o conhecia, mas senti um olhar nostálgico na conversa dos dois.
Ela,apaixonada pela vida,apaixonada pelo novo tudo de novo,e ele,talvez,se apaixonando,pela vida que teve e aquela que sonha em ter.
Foi mais ou menos assim, ela sentou sem compromisso na cadeira.
De repente ela não quis mais sair de lá.Estranho,ela pensou.

Ele pegou na mão dela, pela primeira vez.Ela sentiu certa desconfiança, afinal,não era da sua personalidade estender a mão assim,tão rápido,para pessoas novas.Ficou ali, encostada na parede,observando,sua conversa,seu tom de voz ao cantar e até o jeito de andar.Estranho,ela pensou,de novo.
A mão dele finalmente encosta-se à dela e a dela encosta-se à dele.
Sim,agora sim porque eu deixei,ela pensou.Afinal,ela sempre acha que pode controlar situações e que tudo depende dela.
Os textos começam a conversar,as palavras perdidas lá no fundo da mente reaparecem com uma força imensurável,mas ela diria estranha.
Naquele dia ele olhou-a como não havia feito antes.Ou talvez ela nunca tinha percebido.Ali ela cresceu.Só foram necessários alguns segundos para ela concluir que não,ela não poderia controlar todas as situações.
Naquele dia as palavras corriam soltas,sem a preocupação de ponto,vírgula,exclamação e principalmente interrogação.Lembrou da naturalidade do primeiro encontro, e achou aquilo estranho,de novo.

A mão dela sente-se à vontade.Ela gosta das mãos, ela gosta de perceber todas as texturas da pele, de perceber onde está frio e calor, a mudança da respiração, quando esta domina todo o corpo e faz com que as mãos dancem nele, é nela que a gente tem que acreditar, ela diz.

A mão dela finalmente encosta-se à dele.

Ele a encosta no peito e sussurra em seu ouvido:
-Você também ta se segurando muito?
-...
-Eu tô
-...
-Me dá sua mão, ele pede-Ela não está mais aqui, ela diz.e fecha os olhos e dorme.

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