Gostaria de ouvir sempre a mesma música, a mesma melodia, o mesmo compasso.
Gostaria de conseguir ouvi-la com a mesma exatidão do dia anterior, com a mesma ansiedade, sentir o mesmo calor contagiante em meu interior, aquilo que se chama de felicidade, me completando como se fosse uma tempestade,bolhas borbulhando.
Seria então uma bela perfeição, mas desacretido nisto.
Homens não atingem este grau de lucidez, passam despercebidos por olhares curiosos, por momentos únicos, passam com rapidez pelas melodias, querendo atingi-las de uma forma quantitativa, são velozes, sem nos deixar com fôlego para concluirmos que aquilo não é o nosso melhor, somos mais.
Desacreditar não é o mesmo que desistir.
São tantos os que confundem uma bela nota musical com o histérico soar dos alarmes hormonais, não gosto nada disso.
Desacredito que existam duas melodias idênticas, a musica não será ouvida da mesma forma, a dança não será a mesma, ele poderá pisar no seu pé sem querer pela primeira vez, mas aí é uma questão de acertar o ritmo, uma musica irá de lhes caber, uma sequer, acredite.
Desculpe-me pelos enganos.Eles ainda não conhecem sua própria natureza, seja gentil, compreender a fraqueza humana é uma das nossas virtudes, pobre daquele que tem os olhos inundados por romances vitoriosos, sem lágrimas, sem nada.Ao saber disto, uma calma revigora meu espírito romântico, ouvir a mesma música todos os dias, repetidamente, com a mesma doçura de sempre, pode se tornar uma busca sem fim, e mesmo sendo desta maneira, todos procuram por isto.
Quão pretensiosos e contraditórios somos.
Desconhecedores de nossos próprios mundos, almejando pertencer a um mundo tão obscuro quanto o nosso.
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
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