Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Bilhete.*

Vendo sons
Vejo vozes
Ouço cores
Escrevo sentimentos
Sinto as letras
Gosto de vírgulas
E os pontos finais?
Prefiro de exclamação

Aberta
Espero o amor
Não um qualquer
O amor
O amor

Penso que não consigo
Penso que virá
Penso que me tomará

Será lindo
Vermelho
Admirado
Com flores

Leva tempo
Tenho todo tempo do mundo.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Ouço.*

Dê-me algo bom que eu ganhe e se sublime a cada 15 segundos.
Não ligo para a efemeridade.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

De cima,só se vê pés.*

Saí com minha sombrinha,ou guarda-chuva,como preferirem.Dia chuvoso,frio paulistano,mas estranho,afinal,estamos na primavera.
Caminho.Sigo com a impressão de só enxergar guarda-chuva,um aqui,outro no lado oposto,atrás de mim e os que me ultrapassa com uma velocidade absurda.
A cidade modifica,o guarda-chuva esconde as faces e única preocupação é não deixar cair aquele pingo gelado nas costas,na perna ou na bolsa.
Confesso que sempre tiver horror a este acessório,acho feio,de mau gosto,incômodo,mal desenhado.
Já experimentou compartilhar seu guarda-chuva com alguém?Não cabe,por maior que seja,o pingo sempre cairá,nas costas principalmente,e fica sempre aquela briga,um puxa pra frente,o outro pra trás,e pior,tem um local só de apoio,onde eu coloco meu outro braço?
Caminhar com um guarda-chuva não é pra qualquer um, é para quem tem habilidade.Os desvios nas esquinas,o cuidado para não trombar com outro companheiro e de repente,danificar o seu,aquele que comprou por 5 reais no farol ou nas barraquinhas da Paulista.Não que,pelo seu baixo valor de mercado o guarda-chuva seja depreciado,muito pelo contrário,ao encontrar aquela pessoa molhada na calçada num dia de chuva e você está lá,todo sequinho,na medida do possível,com o seu valioso guarda-chuva,confesso que alivia.
Bendito seja!

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Lotear para morar.*

Tenho opções,sim,todos tem,mas muitos não enxergam.

Pessoas queridas me querem bem,dentro dos seus limites,é claro.Pessoas que não faço questão podem me querer bem,mas,que me perdoem,eu nem ligo.

Saio toda bonita,com cabelo arrumado e delicada.Ele me olha com admiração,nem liguei,quem disse que era para você olhar?Passei horas no espelho para mim, pra mim,sou eu que falo agora,sua vez já passou,que pena.

Penso que poderia ser mais flexível e talvez mais paciente,perceber as qualidades nas pessoas e não só enxergar só os defeitos quando quero me desligar.Penso que poderia enxergar mais como as pessoas são,seus esforços e seus limites.
Queria menos exigência,queria que as pessoas não esperassem tanto de mim,mas seu eu correspondo,o que fazer?

Tenho o emprego que sempre quis,ou descobri,ou ele veio do nada,ou gostei no decorrer do tempo,não sei,só sei que amo.

Sei que executo minhas tarefas muito bem e as pessoas aprendem comigo.Sou responsável,ouvinte,poderia usar mais minhas mãos para fazer mais carinho,expor mais meus sentimentos e talvez ganhar muito com isso.
Isto eu quero.
Quero deitar no colo e quero pular junto.
Gosto de ler,aprender e quero fazer tudo de uma vez,não quero perder nenhuma oportunidade.Sou interessada,tenho iniciativa e líder quando quero.Deve ser resultado da minha criação,não sei,isto falarei com um especialista,estou na busca.
Gosto cada vez mais de cozinhar e comer na minha cozinha, a minhacomida.Aprendi organizar meu armário e finalmente dividir minhas roupas pelas cores.Ufa!Assim fica bem mais fácil.

Quero agradar todos mas nem todos me agradam.
Mas não agrado todos.

Quero andar por aí nas ruas e ficar quieta.
Vou dançar na pista,sentir a música e ir para casa dormir.
Morrer.
Até a próxima batida.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Take me for a ride.*


Sou tão infinita que quebro-me em pedaços.

Sob o sol.*

Não precisa sair da cidade para tornar-se desconhecido.

Tenho febre.

O sol da manhã esquenta o concreto das calçadas das ruas sem dono,criam sombras dos objetos fora do nosso alcance,os riscos pequenos e pretos refletidos na planta da cidade são as torres que levam aquilo que não vemos,não sentimos.
A eletricidade pode ser vista de várias formas.

O calor cria vapor dentro dos órgãos.
Carrego minha mão na nuca e não sinto a mudança de temperatura,estará ela nos postes?Refletidos na calçada?

A capacidade máxima do cérebro,se isto é possível,para criar pensamentos,diálogos,sentimentos,impactos,tudo com uma força imensurável.

Os músculos das minhas coxas doem e pedem abrigo na tentativa de uma nova dança naquela noite tão sombria.Não consigo.
Quero adormecer.
Quero teto de sapê e o vento.
Sou o vento,treino para fazer a curva.

Tenho febre.

Quero parar de tremer com o frio.
Quero ter cabelos compridos para amarrá-los e esquecer do penteado.
Quero apalpar.
Quero a matéria viva.

Um grande ser me questiona:
"Você,tão preocupada e engajada nas suas verdades,lutando sempre para realizá-las,uma das quais é a busca e a conquista do habitat para a Homem,consegue buscar e conquistar o teu?"

Onde está? Ele existe?

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Motivos*

O vento joga na face a temperatura.
Gostaria da vida branda,da vida do sorriso amarelo,do olá pelo olá.

Gostaria de você,da sua voz calma e seu rosto pálido.
Gostaria das suas incertezas e da sua infantilidade.
Gostaria das suas pernas ao dançar e do seu olhar investigativo.
Gostaria da sua dúvida perante meu caráter e do seu sorriso em minhas palavras.
Gostaria da sua dedicação e da sua demora nas decisões.
Gostaria dos seus apetrechos fora do bolso e das horas ao telefone.
Gostaria das suas explicações sobre o mundo e da análise do último livro.
Gostaria do seu silêncio ao declarar uma palavra.

Gostaria sim de você,como nos sonetos mais angustiantes,nos desencontros das paixões,como nos olhares hollywoodianos.

Gostaria sim de você,como eu gostaria de gostar.
Gostaria de você se você gostasse.

Gostaria se o tempo me desse tempo.
Gostaria que este tempo não acabasse.
Gostaria que você não perdesse o tempo.



Video-Game- Mombojó

Isso não é só um olhar
Eu bem que tentei te dizer
Você não quis acreditar

Eu fui um alvo de um tiro certo
Fui condenado sem ter permissão
E o os motivos não me pergunte
Pois o incerto não traz solução
Não traz solução
Não traz solução
Não traz solução

Com a mudança tão esperada
Eu me fazia acordar para ver
O que aconteceu
acordar para ver
O que aconteceu

Não me faça desistir agora não
Não me faça desistir

Isso não é só um olhar
Eu bem que tentei te dizer
Você não quis acreditar

Quem quer?*


Às vezes estamos parados, sem acontecer nada em nenhum setor, seja no pessoal, seja no afetivo, seja no profissional. Mas de repente começam a surgir coisas (sempre ao mesmo tempo), e quem estava vivendo um período de quase felicidade -uma felicidade morna, é verdade-, começa a se angustiar sem saber o que deve fazer.
Continua tranqüila, calma, numa vida de deliciosa rotina, ou entra na roda viva?
Bem que às vezes sentia falta de uma coisa mais trepidante, e sabe que, se topar, o coração vai começar a bater mais forte, a cabeça a estalar, dormir nem pensar e ficar sem tempo pra nada, mas nessa hora acha que isso é viver intensamente, e no começo vai até gostar. Mas às vezes vai lembrar com saudades dos tempos mais calmos e voltar a ter suas dúvidas, igualzinho a antes, e vai se perguntar:

Será que fiz bem?

Nunca há um equilíbrio;

Ou acontecem muitas coisas ao mesmo tempo ou não acontece rigorosamente nada, e quem escolhe? é você!Tem que escolher se aceita o que a vida oferece (às vezes) ou diz não; mas pode ser que a ocasião passe e você volte a viver naquela bendita -bendita?- calmaria, com tempo para pensar na vida, ficar angustiada, neurótica, deprimida e tomando remédio para dormir.

O que fazer, então?

Se aconselhar com os amigos, é claro.

O pior é que conselho não adianta. Dependendo de como é aquele com quem você se aconselhar, ele vai dizer para ir em uma direção ou na oposta, e, no final das contas, quem vai ter que decidir é você mesma.
Cada um tem que tomar suas próprias decisões, usando bom senso e equilíbrio; muito fácil de falar, mas seja qual for o assunto, seja qual for sua experiência de vida, ter bom senso e equilíbrio é muito difícil.

Difícil mesmo é escolher em quem votar no segundo turno.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Não fazia idéia.*

Lençol branco para proteger do pó.
[pela escada já se vê]
Os móveis estão velhos e os vidros sujos.
[a gente quer limpar?]
Utilize a escada e chegará no primeiro andar,lá estarão as roupas velhas,o óculos perdido e o anel que estava na rua.
[quem procurava o anel?]
Abre-se o primeiro quarto e uma cama com colcha rosa e bagunçada,os travesseiros no chão e o armário com espelho na porta aberto,os cabides jogados e só aquele paletó companheiro de festas.
[você sente saudades?]
Na cozinha, os copos de vinho pedindo sabão,na mesa a toalha listrada,aquela cor detestável,mas está lá.
[vontade de música]
Pela janela observa-se o jardim,o vento leva o cabelo na face e não se enxerga mais nada.
[agora você pede para dançar]
O disco preso na vitrola ainda luta para se libertar do risco.
[os passos repetitivos]
A porta da sala aberta,esperando a saída.
[quem vai chegar?]
O vento leva o cabelo na face e não se enxerga mais nada.
[quem vai embora?].

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Sim.*

Tenho tantos pedaços que sou infinita.