A cidade nasceu e viveu,a cidade retilínea e programada.A cidade que morre a cada amanhecer,o árido,o seco e a solidão.O andar fulgaz e tudo se conhece,blocos vazios e corações esperansosos.Olhares longos e falas compridas.
O consolo de belas formas,talvez as use,talvez não.O consolo de belas fotos,da bela luz e de uma capoeira na praça principal,ufa,aqui é o Brasil.
Pequenos corpos na imensidão,o viver é visto,sobe a poeira quado tenta atravessar os limites,aqui pode,aqui não.
Grandes corpos na imensidão,queremos mais,não temos o bastante e vivemos muito para o que nos é oferecido.
Busco novos rumos, chego na mesma célula que fui criada,olho para o lado e um olhar penetrante invade e me paralisa,sim,sou mais do que era,sou mais do que podes pensar,se queres pensar.
Olho pro lado e o caminho correto da cidade me paralisa,o esperado incomoda,o vazio não me satisfaz.Olho para o lado e o caminho tortuoso me desconcentra,o inesperado me alimenta,uma voz que precisa calar.
Conheço cada canto desta cidade,falo como habitante,conheço cada canto deste olhar,falo como habitante,como invasora,assim como a paulista na cidade do futuro,que desconcentra os que não a conhece.
O poder nos alimenta,o choque pode nos aumentar,assim como a paulista que discorre sobre sua cidade para os brasilienses.
Brasília abre as asas e abriga os que buscam o confinamento no espaço infinito,acho que vi algo parecido andando pelas largas ruas de lá.
Domingo, Maio 28, 2006
Domingo, Maio 21, 2006
Cultura para quem tem cultura.*
Eventos populistas,inspirados na cultura européia de interação(é,dúvidas quanto a este último),São Paulo vive mais intensamente(se isto for possível) sua noite,sua história.Povos oriundos de não sei onde,que falam uma língua não sei o quê.
Tô lá na 15 de Novembro,rua histórica,localizada no centro da cidade,centro este usado por muitos como proposta de revitalização,da busca de um sentimento perdido pela urbanização desordenada.Prédios bem conservados,com outros usos,ruas largas para a passagem fulgaz dos transeuntes que ali utilizam por uma parte do dia.À noite,a rua morre,a noite,o dia já se foi e o que restará serão só lembranças ou a nossa aceitação pelo o que virá,recusar é o grito certo que devemos usar?
Colocaram um Dj,música eletrônica e a proposta para interagir,todos,todo mundo,venham quem quiser,é livre,grátis,não temos preconceitos nem olharão para você como um não habitante,não somos mesmos,não estamos nem aí,venho porque está seguro hoje,ou venho porque gosto.A dança se faz presente,miscelânia de cores,credos,falas,culturas.O garoto cheira a cola e pula,em frente a olhares não repressores,invadiram o seu espaço e ele mostrará quem é o dono do pedaço,tá me tirando malandro?
Andar pelo Viaduto do chá às 23:00 hrs,e admirar uma fonte poluída,o barulho das conversas,um garoto passa por nós e diz "só tem gente besta andando na cidade hoje".Quem gostaria de estar lá todos os dias?Sente aquele sentimento de perda?Sente que pode conquistar mais espaços?
Penso,como meus botões um tanto afogados no mar daquele socialismo esquecido e não praticável,pode-se utilizar cada vez mais da integração,do uso livre dos espaços,do habitar sem medo,da nossa convivência,ideal para as cidades,o menino que cheira cola dança e sente a música como eu,ele toca para quem quiser ouvir,dizer não aos intimistas,aos que preservam demais suas opiniões e usufruem dela para selecionar seu convívio,ao enclausuramento de rostos e vozes,ao desespero de quem fica e não sabe como chegar.
Buscar sua face nas mais escondidas,escolha,viva e sinto os que não escolhem aquilo que é seu,entre no seu carro e leve para sua casa um espírito mais aberto para novas descobertas,novos rumos,novas esquinas escuras.
A música eletrônica entra, minha paixão por ela aumenta,o centro da cidade reverbera tudo aquilo que poderíamos ser,os que alguns buscam,outros que perdem.Viro na rua desconhecida e me conheço.
Siga em frente,para finalizar uma dança exorcizada,pulos de alegria,pernas cansadas e vivas.Tudo isto é meu,sou tudo isto.
Afinal,muçulmanos também amam,e tenho dito.
Tô lá na 15 de Novembro,rua histórica,localizada no centro da cidade,centro este usado por muitos como proposta de revitalização,da busca de um sentimento perdido pela urbanização desordenada.Prédios bem conservados,com outros usos,ruas largas para a passagem fulgaz dos transeuntes que ali utilizam por uma parte do dia.À noite,a rua morre,a noite,o dia já se foi e o que restará serão só lembranças ou a nossa aceitação pelo o que virá,recusar é o grito certo que devemos usar?
Colocaram um Dj,música eletrônica e a proposta para interagir,todos,todo mundo,venham quem quiser,é livre,grátis,não temos preconceitos nem olharão para você como um não habitante,não somos mesmos,não estamos nem aí,venho porque está seguro hoje,ou venho porque gosto.A dança se faz presente,miscelânia de cores,credos,falas,culturas.O garoto cheira a cola e pula,em frente a olhares não repressores,invadiram o seu espaço e ele mostrará quem é o dono do pedaço,tá me tirando malandro?
Andar pelo Viaduto do chá às 23:00 hrs,e admirar uma fonte poluída,o barulho das conversas,um garoto passa por nós e diz "só tem gente besta andando na cidade hoje".Quem gostaria de estar lá todos os dias?Sente aquele sentimento de perda?Sente que pode conquistar mais espaços?
Penso,como meus botões um tanto afogados no mar daquele socialismo esquecido e não praticável,pode-se utilizar cada vez mais da integração,do uso livre dos espaços,do habitar sem medo,da nossa convivência,ideal para as cidades,o menino que cheira cola dança e sente a música como eu,ele toca para quem quiser ouvir,dizer não aos intimistas,aos que preservam demais suas opiniões e usufruem dela para selecionar seu convívio,ao enclausuramento de rostos e vozes,ao desespero de quem fica e não sabe como chegar.
Buscar sua face nas mais escondidas,escolha,viva e sinto os que não escolhem aquilo que é seu,entre no seu carro e leve para sua casa um espírito mais aberto para novas descobertas,novos rumos,novas esquinas escuras.
A música eletrônica entra, minha paixão por ela aumenta,o centro da cidade reverbera tudo aquilo que poderíamos ser,os que alguns buscam,outros que perdem.Viro na rua desconhecida e me conheço.
Siga em frente,para finalizar uma dança exorcizada,pulos de alegria,pernas cansadas e vivas.Tudo isto é meu,sou tudo isto.
Afinal,muçulmanos também amam,e tenho dito.
Quinta-feira, Maio 18, 2006
Jogo de Xadrez.*(Cache).**
Olhos abertos e uma câmera na mão,um vidro,uma rua,um espelho,uma vida.
Tensões primatas que devoram os instintos,as cortinas não servem para nada,são escuras,não passa nada.
O pesar no ombro destruído e amargo como sua televisão,o choro travado e guardado pelo esquecimento do que foi a tristeza,do que foi o tempo passado,a gente apaga e pronto,e pronto.
Raízes abertas e o olho no olho para as caras mais lavadas,porque falaste para eles?A televisão é sincera?Você se esconde nela?
O que seu filho pensa de ti?Importa-se?O que o filme fala de ti?Importa-se?Não tem movimento,um filme sem personagens,sem história,o filme está no seu passado,é isto que tentam lhe mostrar,sua vida de hoje crua com a vida amarga passada,esta última preenche o vazio dos sons,o vazio do autor,o vazio dos humanos.
Morrer.Morrer significada acabar?Ficaste tranquilo agora?Dormirá com suas janelas escuras sem observar ao lado,sem se importar,necessita de remédios para se resguardar embaixo dos lençóis,pronto,ninguém sabe de nada,o protagonista foi para longe,irei dormir para morrer e acordar amanhã.
Um filme lento,agonia,dúvidas que somem e o tapa na cara casual de filmes europeus,como disse um amigo.
A história continua.
Resolva-se,caso contrário,todos serão envolvidos,e você,enganado mais uma vez.Por quem?Pela sua câmera,pelo seu espelho.
Falo de olhar para dentro.
Falo de quem está olhando.
Falo de quem poderá olhar.
Tensões primatas que devoram os instintos,as cortinas não servem para nada,são escuras,não passa nada.
O pesar no ombro destruído e amargo como sua televisão,o choro travado e guardado pelo esquecimento do que foi a tristeza,do que foi o tempo passado,a gente apaga e pronto,e pronto.
Raízes abertas e o olho no olho para as caras mais lavadas,porque falaste para eles?A televisão é sincera?Você se esconde nela?
O que seu filho pensa de ti?Importa-se?O que o filme fala de ti?Importa-se?Não tem movimento,um filme sem personagens,sem história,o filme está no seu passado,é isto que tentam lhe mostrar,sua vida de hoje crua com a vida amarga passada,esta última preenche o vazio dos sons,o vazio do autor,o vazio dos humanos.
Morrer.Morrer significada acabar?Ficaste tranquilo agora?Dormirá com suas janelas escuras sem observar ao lado,sem se importar,necessita de remédios para se resguardar embaixo dos lençóis,pronto,ninguém sabe de nada,o protagonista foi para longe,irei dormir para morrer e acordar amanhã.
Um filme lento,agonia,dúvidas que somem e o tapa na cara casual de filmes europeus,como disse um amigo.
A história continua.
Resolva-se,caso contrário,todos serão envolvidos,e você,enganado mais uma vez.Por quem?Pela sua câmera,pelo seu espelho.
Falo de olhar para dentro.
Falo de quem está olhando.
Falo de quem poderá olhar.
Quarta-feira, Maio 17, 2006
This is the Day.**
Well you didn't wake up this morning,cos you didn't go to bed,
you were watching the whites of your eyes turn red.
The calendar on your wall,is ticking the days off,
Youv'e been reading some old letters,you smile and think how much youv'e changed,all the money in the world couldn't buy back those days.
You pull back the curtains and the sun burns into your eyes,you watch a plane flying,across the clear blue sky.
This is the day,your life will surely change,This is the day,when things fall into place.
You could of done anything,you'd wanted,and all your friends and family think that your lucky.
There's a time you'll never see,when you left them only memories,that hold your life,together like glue.
You pull back the curtains and the sun burns into your eyes,you watch a plane flying across the clear blue sky.
This is the day,your life will surely change,
This is the day when things fall into place.
This is the day ,Your life will surely change.
you were watching the whites of your eyes turn red.
The calendar on your wall,is ticking the days off,
Youv'e been reading some old letters,you smile and think how much youv'e changed,all the money in the world couldn't buy back those days.
You pull back the curtains and the sun burns into your eyes,you watch a plane flying,across the clear blue sky.
This is the day,your life will surely change,This is the day,when things fall into place.
You could of done anything,you'd wanted,and all your friends and family think that your lucky.
There's a time you'll never see,when you left them only memories,that hold your life,together like glue.
You pull back the curtains and the sun burns into your eyes,you watch a plane flying across the clear blue sky.
This is the day,your life will surely change,
This is the day when things fall into place.
This is the day ,Your life will surely change.
Segunda-feira, Maio 15, 2006
País...do futebol?*
Ele atravessa a rua correndo e vai até o orelhão saber da sua família.Segura com toda força seu cartão telefônico,a segurança que tem.Era um gari,e,como já lido em um antigo textos,umas destas pessoas invisíveis em nossas vidas.
Flagramos o resultado de todo o desenvolvimento,ou o subdesenvolvimento brasileiro,a lei do favoritismo criada por nosso ancestrais,e que utilizamos hoje como se fosse grande novidade.
Olhos abertos e celulares na mão,ainda bem que temos alta tecnologia!O que faríamos sem ela nesta hora!Viva a globalização!
Ninguém escreve nada,ninguém dialoga,sabem de onde vêm,o que falar?Todos sentem-se culpados?A culpa nos recua?
Se você fosse lá na casa do seu porteiro e saber como ele vive,isto mudaria?Falo de desigualdade social,de exclusão.
Não ao favoritismo da periferia,que nestas horas,são as mais atingidas.O problema social é grande,não adianta esconder,estão escancarando em nossas caras.Colocam fitas zebradas para se proteger,tranco a porta para me isolar,corro para o habitat seguro.Não se fala nada,nos acostumamos de novo,aprendendo a lidar,esta é a evolução do homem?
Eles tem granadas,eles conseguem granadas com os seus alvos,isto é guerra?Ninguém explica isto?E a polícia que financia?Ninguém explica isto?E os corruptos militares,dando ensinamentos básicos aos seus alunos?Ninguém explica nada?Ninguém vai cobrar?Você vai para sua casa?
Falta,sim,muita coisa falta,e o que se vê no espelho é a pergunta do Por que??Porra,olha ao lado.
Ligo a televisão e vejo Parreira com a lista dos convocados para a bela seleção brasileira para a bela copa.
Quem é o Parreira?Ah,é verdade,tem a copa.
O garoto que ia mudar o mundo,
Agora assiste tudo em cima do muro.
Belos poetas brasileiros,orgulho,aí sim.
Flagramos o resultado de todo o desenvolvimento,ou o subdesenvolvimento brasileiro,a lei do favoritismo criada por nosso ancestrais,e que utilizamos hoje como se fosse grande novidade.
Olhos abertos e celulares na mão,ainda bem que temos alta tecnologia!O que faríamos sem ela nesta hora!Viva a globalização!
Ninguém escreve nada,ninguém dialoga,sabem de onde vêm,o que falar?Todos sentem-se culpados?A culpa nos recua?
Se você fosse lá na casa do seu porteiro e saber como ele vive,isto mudaria?Falo de desigualdade social,de exclusão.
Não ao favoritismo da periferia,que nestas horas,são as mais atingidas.O problema social é grande,não adianta esconder,estão escancarando em nossas caras.Colocam fitas zebradas para se proteger,tranco a porta para me isolar,corro para o habitat seguro.Não se fala nada,nos acostumamos de novo,aprendendo a lidar,esta é a evolução do homem?
Eles tem granadas,eles conseguem granadas com os seus alvos,isto é guerra?Ninguém explica isto?E a polícia que financia?Ninguém explica isto?E os corruptos militares,dando ensinamentos básicos aos seus alunos?Ninguém explica nada?Ninguém vai cobrar?Você vai para sua casa?
Falta,sim,muita coisa falta,e o que se vê no espelho é a pergunta do Por que??Porra,olha ao lado.
Ligo a televisão e vejo Parreira com a lista dos convocados para a bela seleção brasileira para a bela copa.
Quem é o Parreira?Ah,é verdade,tem a copa.
O garoto que ia mudar o mundo,
Agora assiste tudo em cima do muro.
Belos poetas brasileiros,orgulho,aí sim.
Quinta-feira, Maio 11, 2006
Quem faz uma poesia abre uma janela-dois autores.**
Quanto tempo você consegue ficar debaixo d’ água?
Desde criança brincamos disto, até ficarmos roxinhos, achamos graça e tiramos sarro daquele que fica menos tempo. Lembro de sempre conseguir mais, sempre nadei e sempre tive fôlego, depois comecei a fumar, beber, dormir tarde, trabalhar, parar de nadar e suas forças vão se acabando, e o que resta é tentar de novo, pronto, você viu que não é mais o mesmo.
Sua mãe lhe trata como antes, seu pai a vê como uma menina, e você aceita, para o bem deles, para a história deles ter continuidade você aceita e se submete a comportamentos antes não vividos, só para agrada-los, por amor.
Eles não te conhecem, às vezes acho que pais nunca conhecerão os filhos, não é a função deles, penso que às vezes é uma relação ímpar, e só quem é filho sabe, só quem é pai sabe, só quem é mãe sabe.
Éramos tão grandes, tão importantes que o mundo acabava ali.
Lembro que aprendi a ter a poesia na minha vida, a aprender a ler, a apreciar belas palavras, as românticas palavras que os mais belos românticos diziam, e acreditava nas linhas intercaladas, que a cada separação existia um suspiro, uma respiração se preparando para uma nova estrofe, uma nova absorção do mundo em volta.Nossa, como eram belas aquelas palavras.Sonhava com os escritores sentados em suas escrivaninhas, pequenas, de madeira escura, num quarto quase sem luz, com um cigarro ao lado e a fumaça confundindo com a luz entrando pela janela.
Ninguém batia na porta, ninguém incomodava, na verdade não sei se teria alguém para incomodá-los, eles já eram suficientes para traduzir a palavra incomodo.Nunca pensei no que eles pensavam, daí criei os meus pensamentos, não tentando ser igual, mas eu tinha uma escrivaninha escura também, e ali eu ficava.
Quando a chuva caia era melhor ainda, os pingos batiam no vidro da janela e traziam inspirações.
A chuva é melancólica, inspira o momento solitário de qualquer ser sensível, seu barulho nem incomoda, ele é resultado dos obstáculos criados pelo ser humano para a sobrevivência e para sua vivência, umas boas, outras ruins, mas vivências.
O melhor é entender a diferença da chuva batendo na sua janela e batendo na grama de um campo isolado.
Desde moleque aprecio a água.
Eu corria, pulava de frente, lado, cambalhotas e a famosa bomba pra molhar as meninas...Mas, eu gostava mesmo de ficar embaixo d'água.Um silêncio onde eu podia fazer o que quisesse com meus movimentos. Liberdade total e incondicional. Sempre imaginei que estava voando no infinito...Então, lembrava de respirar na superfície e desligava-me do meu perfeito mundo lúdico e solitário. Completo.Respirava e voltava; depois, saía com minha pele enrugada e desejando liberdade.
Cresci e ainda brinco na água.
Cresci e construi um aquário; o meu aquário.
O meu aquário tem uma mesa clara, um pc, um blog, uma xícara de café e de vez em quando um gato carente pedindo colo ao dono.
As vezes, uma chuva na parede traz paz, tranquilidade e inspiração. As vezes, melancolia. As vezes, obriga-me a sair e sentir as gotas da chuva na pele para lembrar que estou vivo. Afinal, tenho um aquário, mas, não sou um peixe.
Dentro do aquário, eu escrevo.
Fora dele, eu vivo.
Sem os dois juntos, não sou ninguém.
Eu apenas sobreviveria.
Agora, tenho mundo real e o simbólico.
Desde criança brincamos disto, até ficarmos roxinhos, achamos graça e tiramos sarro daquele que fica menos tempo. Lembro de sempre conseguir mais, sempre nadei e sempre tive fôlego, depois comecei a fumar, beber, dormir tarde, trabalhar, parar de nadar e suas forças vão se acabando, e o que resta é tentar de novo, pronto, você viu que não é mais o mesmo.
Sua mãe lhe trata como antes, seu pai a vê como uma menina, e você aceita, para o bem deles, para a história deles ter continuidade você aceita e se submete a comportamentos antes não vividos, só para agrada-los, por amor.
Eles não te conhecem, às vezes acho que pais nunca conhecerão os filhos, não é a função deles, penso que às vezes é uma relação ímpar, e só quem é filho sabe, só quem é pai sabe, só quem é mãe sabe.
Éramos tão grandes, tão importantes que o mundo acabava ali.
Lembro que aprendi a ter a poesia na minha vida, a aprender a ler, a apreciar belas palavras, as românticas palavras que os mais belos românticos diziam, e acreditava nas linhas intercaladas, que a cada separação existia um suspiro, uma respiração se preparando para uma nova estrofe, uma nova absorção do mundo em volta.Nossa, como eram belas aquelas palavras.Sonhava com os escritores sentados em suas escrivaninhas, pequenas, de madeira escura, num quarto quase sem luz, com um cigarro ao lado e a fumaça confundindo com a luz entrando pela janela.
Ninguém batia na porta, ninguém incomodava, na verdade não sei se teria alguém para incomodá-los, eles já eram suficientes para traduzir a palavra incomodo.Nunca pensei no que eles pensavam, daí criei os meus pensamentos, não tentando ser igual, mas eu tinha uma escrivaninha escura também, e ali eu ficava.
Quando a chuva caia era melhor ainda, os pingos batiam no vidro da janela e traziam inspirações.
A chuva é melancólica, inspira o momento solitário de qualquer ser sensível, seu barulho nem incomoda, ele é resultado dos obstáculos criados pelo ser humano para a sobrevivência e para sua vivência, umas boas, outras ruins, mas vivências.
O melhor é entender a diferença da chuva batendo na sua janela e batendo na grama de um campo isolado.
Desde moleque aprecio a água.
Eu corria, pulava de frente, lado, cambalhotas e a famosa bomba pra molhar as meninas...Mas, eu gostava mesmo de ficar embaixo d'água.Um silêncio onde eu podia fazer o que quisesse com meus movimentos. Liberdade total e incondicional. Sempre imaginei que estava voando no infinito...Então, lembrava de respirar na superfície e desligava-me do meu perfeito mundo lúdico e solitário. Completo.Respirava e voltava; depois, saía com minha pele enrugada e desejando liberdade.
Cresci e ainda brinco na água.
Cresci e construi um aquário; o meu aquário.
O meu aquário tem uma mesa clara, um pc, um blog, uma xícara de café e de vez em quando um gato carente pedindo colo ao dono.
As vezes, uma chuva na parede traz paz, tranquilidade e inspiração. As vezes, melancolia. As vezes, obriga-me a sair e sentir as gotas da chuva na pele para lembrar que estou vivo. Afinal, tenho um aquário, mas, não sou um peixe.
Dentro do aquário, eu escrevo.
Fora dele, eu vivo.
Sem os dois juntos, não sou ninguém.
Eu apenas sobreviveria.
Agora, tenho mundo real e o simbólico.
Domingo, Maio 07, 2006
Simple Present*
Eu vivo com meus cabelos encaracolados e soltos,uma hora felizes,outras horas tristonhos,depende do clima.Não falo aqui de pensar,não falo aqui de sentir,tenho dúvidas se o que penso posso pensar e se o que sinto posso sentir.Me sinto nova,a mesma de sempre,indagações e riscos como sempre,respostas e a eterna batalha de não querer mais aquele meu defeito,minha respiração ofegante,meus ombros tensos.Não luto contra eles,sei que estão lá,aqui e me pertubarão a todo instante que acordá-los,ou que acordarem.Felicidade buscada e atingida.Sou garota simples para quem vê da vitrine,e acredito neles.Sou mulher cheia,com ideais,com defesas,com ternura e agrado para aqueles que acredito merecer.Sou pequena menina no seu ninho,fechando a porta para os incomodados e escancarando para os mais felizes.Sou garota com sonhos,com trilhos,roupa suja e rasgada,tênis batido e unhas pintadas.Sou mulher que exige,que grita e cala.Sou pequena menina que chora,que deita encolhida na cama na noite de frio.
Sou garota que anda na rua,sou mulher que olha ao lado,sou pequena menina que ri.
Sou garota que anda na rua,sou mulher que olha ao lado,sou pequena menina que ri.
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Meu mundo é hoje**Paulinho.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim.
Eu sou assim, assim morrei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se abaixam até o chão.
Enganado a si mesmo por dinheiro ou posição.
Nunca tomei parte deste enorme batalhão,pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim.
Eu sou assim, assim morrei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se abaixam até o chão.
Enganado a si mesmo por dinheiro ou posição.
Nunca tomei parte deste enorme batalhão,pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.
Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.
Segunda-feira, Maio 01, 2006
Posso roubar sua flor?Posso fingir meu desapego?
Conversa do hoje,me faz bem,a gente se conhece há tanto tempo...
Por que ela continua com suas manias,porque ele continua quieto?
Eu to precisando ir mais longe,vasculhando caminhos e fronteiras para ultrapassar,irão comigo.
Amanhã não sou de ninguém,amanhã sou só eu,gosto assim,faço assim.
Velhas imagens,velhos diálogos,frases vistam desde meus 10,9,12 anos.
Falam todos ao mesmo tempo,para chocar,olha,eu estou aqui,não largue de mim,sim,não largarei.
A gente vai ficar assim até sermos velhinhos?
A gente vai falar do nosso shampoo depois dos 30?
A gente vai tentar se ajudar depois de tentarmos a solução?
Vocês irão me dar respostas para minhas malucas confusões?Ou pelo menos tentar?
Eu irei ouvi-las e amar cada vez mais isso?
Um dia vocês irão assistir os filmes que eu gosto?
Um dia você irá colocar gérbera na sua casa?
A gente vai sempre juntar uma idéia na outra,sem perdermos nossa opinião?
Vocês irão sempre me entender que preciso do silêncio?
Vocês irão sempre me falar que me conhecem como ninguém?
Vou conseguir não ser eu,mesmo mudando tanto,assim,perto de vocês?
Eu amo.
Amo.
A propósito,tentaste isto comigo?Não conseguiste?
É a forma que achaste para conseguir olhar nos meus olhos novamente,sem culpa,ou pelo menos fingir não tê-la.
Eu tenho muita sorte.
Por que ela continua com suas manias,porque ele continua quieto?
Eu to precisando ir mais longe,vasculhando caminhos e fronteiras para ultrapassar,irão comigo.
Amanhã não sou de ninguém,amanhã sou só eu,gosto assim,faço assim.
Velhas imagens,velhos diálogos,frases vistam desde meus 10,9,12 anos.
Falam todos ao mesmo tempo,para chocar,olha,eu estou aqui,não largue de mim,sim,não largarei.
A gente vai ficar assim até sermos velhinhos?
A gente vai falar do nosso shampoo depois dos 30?
A gente vai tentar se ajudar depois de tentarmos a solução?
Vocês irão me dar respostas para minhas malucas confusões?Ou pelo menos tentar?
Eu irei ouvi-las e amar cada vez mais isso?
Um dia vocês irão assistir os filmes que eu gosto?
Um dia você irá colocar gérbera na sua casa?
A gente vai sempre juntar uma idéia na outra,sem perdermos nossa opinião?
Vocês irão sempre me entender que preciso do silêncio?
Vocês irão sempre me falar que me conhecem como ninguém?
Vou conseguir não ser eu,mesmo mudando tanto,assim,perto de vocês?
Eu amo.
Amo.
A propósito,tentaste isto comigo?Não conseguiste?
É a forma que achaste para conseguir olhar nos meus olhos novamente,sem culpa,ou pelo menos fingir não tê-la.
Eu tenho muita sorte.
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