Andei sobre ladrilhos conhecidos,mergulhei em discos esquecidos na caixa de papelão lá do quartinho da bagunça,minha letra de adolescente,meus versos infantis.Andei por tudo aquilo que me formou,ela perguntou sobre minha mãe,disse que passava bem e me cobrou uma visita em sua casa nova.Personagens de um bairro,imortais em suas vidas,mesmo andar,mesmos faróis,o olá de sempre,como se estivesse ontem,a escada que me faz subir para o orgulho,o mesmo ponto de ônibus.Dizem a todo instante que eu cresci,que não apareço mais(como posso não aparecer mais se eles estão sempre por lá?Não entendem).Entro em minhas fitas de vídeo com vídeoclipes,do aerosmith,do lemonheads,do bon jovi,do the clash,quando descobri os smiths,dos acústicos que tanto gostava e programava meu vídeo para gravar.Entro na caixa de papelão encontrada por acaso,cds esquecidos(achei um do ace of base,não entendi nada),uma vida guardada e usada,mas que não serve mais.Nos ídolos chico,toquinho,bethânia,kitaro,até a xuxa,o dominó.Na casa que não é mais minha,no encontro que não é mais meu.Nas minhas idas para aquela avenida em que me sentia a dona do lugar,eu era o lugar,minha família pertence e permanece naquilo.Minha mãe entra no carro e se espanta com acontecimentos e conclui que aquela cidade é uma província,sorri para ela,sábia mãe.
Me sinto segura,me sinto salva ao voltar lá,na avenida de bancos,pessoas,carros e sons conhecidos.O cara da farmácia me diz para não esquecer dele no dia do meu casamento,afinal me viu crescer e não poderia perder esta oportunidade.Sim,digo que assim que acontecer,avisarei.
Tristeza e alegria caminham juntas,e se tivesse ficado como elas?Com os mesmos passos,os mesmos gostos,os mesmos lugares?Senti o peso disto nesta última ida,sentia,mas nunca havia pensado em como meu ser é decorrente de tudo isto.
Um amigo diz que lugar bom é nenhum lugar,é o lugar que se constrói.Comigo foi diferente,construo o meu lugar hoje,pois tive um construído para mim antes,e quando não saber como fazer é só voltar lá e andar pela grande avenida,estarei preparada.
Fico orgulhosa por poder tê-lo,sinto orgulho por poder sair.Penso na vida como um encontro de suas buscas,e adormecer ali seria para mim uma forma de conforto,de dizer não ao desconhecido,para um novo olá.
Não sou mais menina pai,naõ tenho mais minhas curtas pernas,não lhe chamo como antes,não insista no nosso viver,to aqui,to por aí,a cada dia mais,a cada hora mais,sigo feliz,sigo sem medo,sigo limpa,leve.
Não sou mais menina pai,sempre gostarei da água de noite,sempre quando a pego,é de você que eu lembro,acalme-se,não o chamarei como antes,culpa sua,quem mandou ser o mais conhecido do bairro?Quem mandou ter sonhos malucos?Quem mandou querer ser mutável?Gosto tanto daqui,gosto tanto de mim,gosto tanto de você,gosto tanto daquela avenida.
Sexta-feira, Abril 28, 2006
Quinta-feira, Abril 27, 2006
Alvo certo,eu acho.*
Eu acho que achar as coisas é chato,é bem chato.
Me viro e nada do que eu acho não acho.
Seleção?
Não preciso de tudo,quero sambar e pé no chão.
Quero suar no samba e beber água,descabelar e chegar com as pernas para cima.
Imbolar,rebolar,quero ver.
Quero ver se acompanha,ah não,não acompanha,não tens fôlego,que pena.
Que pena,que sorte a minha.
Seleção?
Sim,tudo isto espero de mim,ah,como me conheço.
Que papo furado é este?
Ah,calma ai,to abrindo a porta,se eu deixar a chave você entra,sim, se eu deixar.
Ao deixar muitos invadem,exploram e conhecem tudo.
Aliás,acham que conhecem tudo,nossa,como tenho repulsa dos que acham que sabem tudo.
Eu mudo todo instante,como sabes tudo?
Para por aí.
Sua meta? Minha meta?
Mira a seta no alvo,mas o alvo na seta não te espera.
Olha pro lado,to bem aqui.
Me viro e nada do que eu acho não acho.
Seleção?
Não preciso de tudo,quero sambar e pé no chão.
Quero suar no samba e beber água,descabelar e chegar com as pernas para cima.
Imbolar,rebolar,quero ver.
Quero ver se acompanha,ah não,não acompanha,não tens fôlego,que pena.
Que pena,que sorte a minha.
Seleção?
Sim,tudo isto espero de mim,ah,como me conheço.
Que papo furado é este?
Ah,calma ai,to abrindo a porta,se eu deixar a chave você entra,sim, se eu deixar.
Ao deixar muitos invadem,exploram e conhecem tudo.
Aliás,acham que conhecem tudo,nossa,como tenho repulsa dos que acham que sabem tudo.
Eu mudo todo instante,como sabes tudo?
Para por aí.
Sua meta? Minha meta?
Mira a seta no alvo,mas o alvo na seta não te espera.
Olha pro lado,to bem aqui.
Sábado, Abril 22, 2006
Mirar de hito en hito*
Vou confessar: Ontem fiquei preocupada comigo,minhas atitudes perante situações ,pessoas desconhecidas,minha estupidez,meu choro,meu soluço,minhas ligações e meus pensamentos.Juro,me preocupei ao me acalmar.
Dormi.Como ninguém dorme,tenho forças,tenho algo especial que me foi dado ou que fui buscar,não sei da onde vem,mas eu o sinto,desculpa,eu o sinto e sei quando ele aparece.Por isso dormi tão bem,por isso acordei tão bem.
O meu trabalho,as minhas pessoas,todos que me circundam,estava irradiante hoje,vesti rosa,prendi o cabelo e coloquei um brinco bonito.
Olho para minha idade e para tudo que já conquistei hoje,toda confiança que me foi dada,e a que eu passo.Olho as pessoas precisando de mim e sorrisos infantis escondidos,com vergonha.Eles são minha maior alegria,hoje me dei conta disto,ou sinto isto mais intensamente.Brigo por eles,desenvolvo por eles e por causa deles.
Pessoas com vidas vividas e sábias,com forças e determinações,com criatividade,imaginação.Eu sorria,eu me alegrava.
Acredito muito no que eu faço,acredito muito no meu trabalho,ele é valido,vejo resulatados,vejo vidas sendo mudadas,pessoas mais felizes ou mais tristes,impacto.
Mas não posso ser só isso,sinto que preciso caminhar,preciso saber mais e passar mais.E todos sentem o mesmo,sentem esta angústia,esta vontade de crescer,de conquistar o mundo.
E vou,estou indo,me preparando devagar,absorvendo para expirar.
Quero gente feliz,quero dar risada,quero gente.
Acordei bem,algo eu tenho,algo eu busco,algo terei.
Dormi.Como ninguém dorme,tenho forças,tenho algo especial que me foi dado ou que fui buscar,não sei da onde vem,mas eu o sinto,desculpa,eu o sinto e sei quando ele aparece.Por isso dormi tão bem,por isso acordei tão bem.
O meu trabalho,as minhas pessoas,todos que me circundam,estava irradiante hoje,vesti rosa,prendi o cabelo e coloquei um brinco bonito.
Olho para minha idade e para tudo que já conquistei hoje,toda confiança que me foi dada,e a que eu passo.Olho as pessoas precisando de mim e sorrisos infantis escondidos,com vergonha.Eles são minha maior alegria,hoje me dei conta disto,ou sinto isto mais intensamente.Brigo por eles,desenvolvo por eles e por causa deles.
Pessoas com vidas vividas e sábias,com forças e determinações,com criatividade,imaginação.Eu sorria,eu me alegrava.
Acredito muito no que eu faço,acredito muito no meu trabalho,ele é valido,vejo resulatados,vejo vidas sendo mudadas,pessoas mais felizes ou mais tristes,impacto.
Mas não posso ser só isso,sinto que preciso caminhar,preciso saber mais e passar mais.E todos sentem o mesmo,sentem esta angústia,esta vontade de crescer,de conquistar o mundo.
E vou,estou indo,me preparando devagar,absorvendo para expirar.
Quero gente feliz,quero dar risada,quero gente.
Acordei bem,algo eu tenho,algo eu busco,algo terei.
Quinta-feira, Abril 20, 2006
Lo que sea*
Eu escrevo com letras caídas, penduradas no teu leito, postas lado a lado com as palavras não ditas.
Eu penso como não penso, eu sonho como não sonho, estar na tua como não estar.O tempo é oferecido como um vento passageiro, a certeza de tempos passados e tempos presentes, a incerteza do novo por- do-sol nos torna vivos, para morrermos amanha.O texto me leva para longe, o travesseiro me conduz aos meus anseios.Mexer no cabelo significa estar presente, as perguntas dentro da garganta, a dúvida da porta aberta ou um degrau a mais para subir.
Quanto tempo, dias isso pode esperar?Não achas significado, não os tenho, não é permitido ao mundo vivo dos mortais, dos que morrem e se afogam, mesmo por um segundo.Daqueles que buscam paz e temem pelo turvo do mar, dos que sentem calafrios ao buscar uma orelha, dos que observam o calor e a imensidão da tua memória, do soar dos sinos, o alarme da insatisfação pulsa sobre meu corpo, do que preciso, do que é preciso.
Uma gota de orvalho cai sobre minha mente e a descobre ,limpa todo meu ombro e escorre pelo meu corpo, reconhece e abriga ali mesmo seu calor, busca entraves, pistas, caminhos, nada com a mais bela delicadeza, o som da pétala ao cair no chão não seria mais brando.
Sinto o pulso dos pulsos.
Sinto o peso da minha palavra, o poder que possuo ao digerir momentos e exorciza-los em tua companhia.
Eu penso como não penso, eu sonho como não sonho, estar na tua como não estar.O tempo é oferecido como um vento passageiro, a certeza de tempos passados e tempos presentes, a incerteza do novo por- do-sol nos torna vivos, para morrermos amanha.O texto me leva para longe, o travesseiro me conduz aos meus anseios.Mexer no cabelo significa estar presente, as perguntas dentro da garganta, a dúvida da porta aberta ou um degrau a mais para subir.
Quanto tempo, dias isso pode esperar?Não achas significado, não os tenho, não é permitido ao mundo vivo dos mortais, dos que morrem e se afogam, mesmo por um segundo.Daqueles que buscam paz e temem pelo turvo do mar, dos que sentem calafrios ao buscar uma orelha, dos que observam o calor e a imensidão da tua memória, do soar dos sinos, o alarme da insatisfação pulsa sobre meu corpo, do que preciso, do que é preciso.
Uma gota de orvalho cai sobre minha mente e a descobre ,limpa todo meu ombro e escorre pelo meu corpo, reconhece e abriga ali mesmo seu calor, busca entraves, pistas, caminhos, nada com a mais bela delicadeza, o som da pétala ao cair no chão não seria mais brando.
Sinto o pulso dos pulsos.
Sinto o peso da minha palavra, o poder que possuo ao digerir momentos e exorciza-los em tua companhia.
Personagens*
Sempre me interessei por homens interessados.Conhecem aqueles que andam na cola de professores?Nunca os foquei.Eles não são inteligentes?Interessados?me soa falso,uma forma de tentar auto promoção,algo que os falta,buscam nos mestres.
Gosto dos que buscam em si,no slivros,nas memórias,e ainda mais aqueles que não encontram,vivem em total turbulência com suas linhas rasgadas dentro de di,acham e depois se perdem.Dos que usam óculos e vão ao supermercado sozinhos e os que desenham,ah os que desenham!
Os que dançam de olhos fechados refletindo sua forma de absorver o vento no rosto,dos que utilizam a caneta.
Não dos que fogem,estes não.
Sim para os que encaram sua podridão e sua felicidade,se assim for feito,dos que vivem sem vergonha,com coragem,de cara limpa,com barbas escondendo imperfeições nas falas, na língua não dita.
Dos que idealizam,dos que não dormem,que amortecem seus pensamentos no travesseiro,no colo alheio.Dos que amam sem pudor,dos que sussuram seu gritos,só para quem está perto ouvir.
Gosto dos que buscam em si,no slivros,nas memórias,e ainda mais aqueles que não encontram,vivem em total turbulência com suas linhas rasgadas dentro de di,acham e depois se perdem.Dos que usam óculos e vão ao supermercado sozinhos e os que desenham,ah os que desenham!
Os que dançam de olhos fechados refletindo sua forma de absorver o vento no rosto,dos que utilizam a caneta.
Não dos que fogem,estes não.
Sim para os que encaram sua podridão e sua felicidade,se assim for feito,dos que vivem sem vergonha,com coragem,de cara limpa,com barbas escondendo imperfeições nas falas, na língua não dita.
Dos que idealizam,dos que não dormem,que amortecem seus pensamentos no travesseiro,no colo alheio.Dos que amam sem pudor,dos que sussuram seu gritos,só para quem está perto ouvir.
Segunda-feira, Abril 17, 2006
Merda!*
Ando no chão cinzento desta medíocre cidade,reparo nos mortos,nos encolhidos,nos sem saúde mental para suportar tanta barbárie,olhar ao lado é se ver no espelho,picotar papéis para se submenter em novas empreitadas,em novos sonhos,em nova lama.O pedaço cortado voa como seu cabelo,a sua roupa suja alivia os desesperados,tanto suor para um farol fechado,um não na esquina.Que batalha é esta que se procura?Buscar toda minha fortaleza na suas costas,no seu pé,nos calos dos dedos apertados e tímidos.Meu castelo é de areia,cada vez penso mais nisto,cada vez acredito mais nisso,é falso,não sou aqui,não tenho janelas,não absorvo esta poluição que me afoga,o cigarro me busca assim como o vento me leva para longe de ti.Meus olhos brilham por uma risada distante,aquela que ficou fincada nos meus mais podres instintos,que esqueci de desenterrar,e hoje ninguém mais quer saber.Empolgo com situações tolas,pequenas,preto e branco do desesperado,do medíocre desta urbanidade,alguma solução eu terei,alguma resposta tenho que dar,enxergar picos de insanidade me preocupam,me provam que posso ser mais do que este corpo aterrado no meu corpo.Um filme que quero viver,mas não me é permitido,já rodam sem eu saber,minha cabeça gira para longe,meus pensamentos flutuam e não se sabe quando voltam nem quando os resgatarei.Tenho ódio da minha pele contra a sua,tenho pavor e tesão pelo seu sussuro,tenho vontade de mantê-lo vivo,estático,com os olhos abertos a me olhar,andar na rua e tropeçar.Meu pescoço serve para seu prazer,deles saem cheiros e vozes,odores agradáveis que te deixará fora daqui,longe daqui,é isto que quero.Um boneco de plástico me serviria mais,com uma pilha gasta me serviria mais.Tenho um cinema para ir com você,tenho uma roupa nova para te mostrar,tenho um riso para compartilhar,tenho uma cor para descobrir,tenho um cuidado,tenho um cuidado.Que merda é ter cuidados,que lixo somos quando cuidamos,largar-se,sem se preocupar,deixar escorrer e transparecer sua não vontade de cuidar,ninguém liga para isto,ninguém vê valor,a vida fica mais leve assim,mais ruim assim,mais justa assim.
Não tem o que eu quero,não quero nada,quero parar,estilhaçar os vidros e fazer careta para você,não sou idiota,não sou banal,sem principios,sem leis,sem regras,quero matá-las,quero entrar no vaso e florescer com minhas gérberas,girar com o sol e rodar com a minha saia.
Não tem o que eu quero,não quero nada,quero parar,estilhaçar os vidros e fazer careta para você,não sou idiota,não sou banal,sem principios,sem leis,sem regras,quero matá-las,quero entrar no vaso e florescer com minhas gérberas,girar com o sol e rodar com a minha saia.
Sábado, Abril 15, 2006
Real surreal.Chega de bobagens.Chega de olhares.Chega de linhas.Gosto de sons.
O telefone toca,de novo e de novo,já crio respostas para suas perguntas,mesmo sem começar a fazê-las.
Não disse?Sabia o que iria dizer,não sei pra que responder se já sei o final.
Você me diz que mudou,eu acredito,sempre acredito,gosto de acreditar,gosto de você.
Como há tempos não via,você me diz que gostou de me ver,te digo que me fazes bem,questionamentos do que seremos,do que somos,não se pensa em nada,os olhos não enxergam mais nada,suas dúvidas,suas certezas.
Me olha como há um ano atrás,acho que não mudou,eu não mudei.
Risadas caladas,crenças perdidas,figuras inteiras,não sei onde estou,nem quero saber.
Desse jeito eu continuo,e tenho dito...
Fico nervosa,sei que você vem,como você está?
Como eu estou,o espelho me diz,o espelho não é suficiente,nada me satisfaz,até que sinto o chão tremer.
Você não diz nada,nunca precisou,sempre soube o que iria falar.
Não disse?E você gosta disto, e odeia isto.
Me pede,me olha como há uma década atrás,sinto tremer tudo aquilo que havia esquecido.
Abaixo a cabeça,como sempre,sou tola,não sei o que fazer com as mãos,o que fazer com o cabelo,com meu sorriso,comigo.
Descarrego,me faz ser como uma criança perdida sem os pais,peço ajuda,nos organizamos,nos sentimos,mas cadê?
Te vi ontem,te vejo ontem,te vejo há uma semana,senta na minha frente e faz cara de maduro,solta palavras de adulto para impressionar,ri para eu olhar,gesticula para eu ouvir.
Sento ao seu lado e falo como mulher madura,te conto sobre minhas últimas novidades,te falo sobre minha música e meus sonhos.
Olho para seu rosto e me lembro como é bem desenhado,vejo seus dedos,seu tênis,seu jeito de andar.
O impacto se faz há tempos,meus pés inquietos jogam minhas mãos para trás até tocar nas suas,e você deixa,e eu deixo,eles deixam.
Deito nas folhas e me acompanha.
Pode parecer algo romântico,parece algo real.
E é,infelizmente é.
Sinto pena dos pobres sem amor,sem o lado vinícius de ser.
Aprendo a voar,olho para cima e sinto o chão.
Não disse?Sabia o que iria dizer,não sei pra que responder se já sei o final.
Você me diz que mudou,eu acredito,sempre acredito,gosto de acreditar,gosto de você.
Como há tempos não via,você me diz que gostou de me ver,te digo que me fazes bem,questionamentos do que seremos,do que somos,não se pensa em nada,os olhos não enxergam mais nada,suas dúvidas,suas certezas.
Me olha como há um ano atrás,acho que não mudou,eu não mudei.
Risadas caladas,crenças perdidas,figuras inteiras,não sei onde estou,nem quero saber.
Desse jeito eu continuo,e tenho dito...
Fico nervosa,sei que você vem,como você está?
Como eu estou,o espelho me diz,o espelho não é suficiente,nada me satisfaz,até que sinto o chão tremer.
Você não diz nada,nunca precisou,sempre soube o que iria falar.
Não disse?E você gosta disto, e odeia isto.
Me pede,me olha como há uma década atrás,sinto tremer tudo aquilo que havia esquecido.
Abaixo a cabeça,como sempre,sou tola,não sei o que fazer com as mãos,o que fazer com o cabelo,com meu sorriso,comigo.
Descarrego,me faz ser como uma criança perdida sem os pais,peço ajuda,nos organizamos,nos sentimos,mas cadê?
Te vi ontem,te vejo ontem,te vejo há uma semana,senta na minha frente e faz cara de maduro,solta palavras de adulto para impressionar,ri para eu olhar,gesticula para eu ouvir.
Sento ao seu lado e falo como mulher madura,te conto sobre minhas últimas novidades,te falo sobre minha música e meus sonhos.
Olho para seu rosto e me lembro como é bem desenhado,vejo seus dedos,seu tênis,seu jeito de andar.
O impacto se faz há tempos,meus pés inquietos jogam minhas mãos para trás até tocar nas suas,e você deixa,e eu deixo,eles deixam.
Deito nas folhas e me acompanha.
Pode parecer algo romântico,parece algo real.
E é,infelizmente é.
Sinto pena dos pobres sem amor,sem o lado vinícius de ser.
Aprendo a voar,olho para cima e sinto o chão.
Nobody knows it but you've got a secret smile and you use it only for me.
Desse jeito a gente enlouquece,e tenho dito...
Domingo, Abril 09, 2006
Quem pode mais*
Ele é morador de rua,homem da rua,indigente,um homem comum,como quiserem.
Veste roupas feitas de retalhos,encontra fios de algodão,de veludo,de sacos pela sua estrada para se proteger do vento gelado que deve cortar sua pele e ultrapassar sua resistência corporal,aquilo que seus ossos comportariam num dia de frio protegidos adequadamente.
Ele caminha pela rua lentamente,não deve ter relógios e nem se preocupar com as horas,não tem espelho para enfeitar-se,não faz a barba há semanas,ninguém ouve sua voz.
Ele observa o trânsito da cidade que o habita,do lugar que ele escolheu,ou não,para viver,ou sobreviver,como quiserem.
Ele busca algo dentro de nossos lixos,no nosso desprezo,na nossa insatisfação.
Ele encontra algo interessante,algo antes nunca visto,nunca tocado,nunca sentido.
Ele retira aqueles selofanes coloridos como uma criança que encontra seu melhor brinquedo,sorri para o nada,ou para ele mesmo,como quiserem.
Ele se pergunta o que fazer com aquele papel transparente colorido,explora o material,toca,sente,cheira,se derrete e em pouco tempo ele encontra sua satisfação.
Ele novamente observa o trânsito,os automóveis,e fica estático ali,na calçada,em suas costas pernas flutuantes e dispersas,respirações ofegantes e pensamentos confusos,vidas cheias,sem espaço para mais nada,para mais nenhum detalhe.
Ele segura o papel e o coloca na altura dos olhos,vira de um lado,vira de outro,e percebe que as cores mudam quando o põe em frente da sua face,na sua vista.
Ele o segura firme na sua vista e gira a cabeça,um sorriso estampa seu rosto e descobre ali um mundo colorido,um lugar quente,faces inundadas de novas cores,novos tons,novas performances.
Ele testa todas as cores,o amarelo,o verde,o vermelho e o azul,observa minusciosamente tudo aquilo que vê,ele fotografa,da forma mais sensível que já vi.
Ele cansa,dobra o papel e o guarda na sua sacola,a coloca nas costas,ajeita o cabelo,o casaco,da um pulo para subir a calça e segue em frente,ou para trás,como quiserem.
Ele se foi,ele é passageiro,ele é fixo,ele me olhou amarela,ele riu de mim,ele riu de nós.
Ele sorriu para sua vida.
Veste roupas feitas de retalhos,encontra fios de algodão,de veludo,de sacos pela sua estrada para se proteger do vento gelado que deve cortar sua pele e ultrapassar sua resistência corporal,aquilo que seus ossos comportariam num dia de frio protegidos adequadamente.
Ele caminha pela rua lentamente,não deve ter relógios e nem se preocupar com as horas,não tem espelho para enfeitar-se,não faz a barba há semanas,ninguém ouve sua voz.
Ele observa o trânsito da cidade que o habita,do lugar que ele escolheu,ou não,para viver,ou sobreviver,como quiserem.
Ele busca algo dentro de nossos lixos,no nosso desprezo,na nossa insatisfação.
Ele encontra algo interessante,algo antes nunca visto,nunca tocado,nunca sentido.
Ele retira aqueles selofanes coloridos como uma criança que encontra seu melhor brinquedo,sorri para o nada,ou para ele mesmo,como quiserem.
Ele se pergunta o que fazer com aquele papel transparente colorido,explora o material,toca,sente,cheira,se derrete e em pouco tempo ele encontra sua satisfação.
Ele novamente observa o trânsito,os automóveis,e fica estático ali,na calçada,em suas costas pernas flutuantes e dispersas,respirações ofegantes e pensamentos confusos,vidas cheias,sem espaço para mais nada,para mais nenhum detalhe.
Ele segura o papel e o coloca na altura dos olhos,vira de um lado,vira de outro,e percebe que as cores mudam quando o põe em frente da sua face,na sua vista.
Ele o segura firme na sua vista e gira a cabeça,um sorriso estampa seu rosto e descobre ali um mundo colorido,um lugar quente,faces inundadas de novas cores,novos tons,novas performances.
Ele testa todas as cores,o amarelo,o verde,o vermelho e o azul,observa minusciosamente tudo aquilo que vê,ele fotografa,da forma mais sensível que já vi.
Ele cansa,dobra o papel e o guarda na sua sacola,a coloca nas costas,ajeita o cabelo,o casaco,da um pulo para subir a calça e segue em frente,ou para trás,como quiserem.
Ele se foi,ele é passageiro,ele é fixo,ele me olhou amarela,ele riu de mim,ele riu de nós.
Ele sorriu para sua vida.
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