Quinta-feira, Março 30, 2006
Tenho razão*
Eu olho pro lado,foi ontem,tudo foi ontem,hoje é rapido demais.
Sensação de vazio nos pensamentos,um vento vem e me leva tudo aquilo que um dia eu pensei em gritar,em chorar,em escrever,em telefonar.
Palavras pequenas,serenas,familiares,e a saudade vai se esvaindo.
Fiquei com vontade de abraçar,com vontade de falar um palavrão.
Uma teia de informações é jogada,o que fazer com elas?Não penso em nada hoje,não penso mesmo,não quero pensar,não preciso pensar,hoje.
Sinto-me sábia,com palavras grudadas na garganta,com frases feitas na memória,com um sorriso na face,com a justificativa da minha paz.
Falaram tanto,falam tanto e eu só acredito em mim,só em mim,quem sabe mais do que eu?
Gostaria de escrever mais,mas precisava registrar que eu não consigo,eu só sinto.
Sinto raiva ao pensar.
Eu odeio pensar.
Tenho raiva do que fui.
Tenho raiva porque sempre serei.
Quinta-feira, Março 23, 2006
Nostalgia...nostalgia....*
Aceitar que temos um passado não é das tarefas a mais fácil, tudo muito confuso, tudo muito turvo e ao mesmo tempo tão claro.
Estou aqui agora, aceito esta condição,me sinto nela, não quero nada de volta.
Mas me permito a pedir só uma coisinha....queria poder sentir o mundo maior, como se eu fosse uma parte despercebida nele, como se eu tivesse sete anos.
Posso?
Terça-feira, Março 21, 2006
Wait a minute.*
Foi sem querer,tive a melhor das intenções,pensei somente nela,na sua condição no trabalho,achei que sabia o que ela sentia,mas não achei na verdade,me falaram o que ela sentia e a chamei pra conversar achando que aquilo que tinham me dito era verdade,e que aquilo que eu ia falar pra ela seria tudo aquilo que ela mais queria ouvir.
Me enganei.
Por um momento achei que tinha tomado a decisão certa,no outro dia me disseram que estava chateada comigo,decepcionada na verdade,foi tudo mal interpretado,uma confusão de informações.
Pensei dias nisto e decidi esclarecer ,mas a vejo pouco,por isso fico remoendo dentro de mim,até eu resolver,ou pelo menos tentar,conversar.
Me fez pensar na forma que lido com as pessoas,no trabalho,na família,amigos,amores,pessoas na rua.
Como ter certeza do que eu falei foi bem pra ela?Eu sou ela?
Como eu consigo ficar feliz achando que o que eu estou fazendo é o melhor pra aquela pessoa?Fico feliz por mim ou por ela?
Minha preocupação com o próximo,desenvolvida ainda mais no meu trabalho,pode ter sido exagerada,posso ter sido presunçosa,achando que aquela conversa de dez minutos a faria feliz,deixaria o seu trabalho mais leve,ela iria pra casa realizada.
Tudo errado,mas não pra mim somente,houve falta de comunicação ,falaram que ela disse que ela queria me dizer,..sabe ,aquela velha história que só dá em merda?
Querer o bem sempre não é pecado,mas as vezes as pessoas não querem nada de você,nem o seu bem,nada,nada.
Não precisamos estar ativas todo o tempo,podemos cruzar o caminho sem ao menos perceber.
Pensar assim me faz perceber que o mundo não é aquilo que eu construi pra mim,que o mundo pode ser frio,sem direção,deve ser pela minha visão extremista dos fatos.
Pensar na confusão gerada por uma conversa me fez pensar e enxergar que somos seres tão pequenos e que não podemos decidir pela felicidade de ninguém,e que somos seres tão grandes que qualquer olhar torto pode ser o fim para alguém.
Será que isto só ocorre hoje?
Será que minha mãe já sentiu isto?
Me sinto minúscula,podre,tão insignificante e luto contra mim,por um momento ter achado que poderia estar fazendo o bem,e fiz o mal.
Isto me acaba,sempre me derrubou.
Exagerada.
Intensa.
Ativa.
Falarei com mais cuidado,não serei tão austera,tão certa nas minhas falas e não irei me auto - afirmar sempre,apesar de precisar tanto.
Sexta-feira, Março 17, 2006
Face to Face.*
Me disseram que eu enxergava evolução,e que muitos ao meu lado eram simples crianças pedindo abrigo.
Que eu era uma pessoa feliz por saber o que quero e por não saber também.
Que minha energia ás vezes acabava,mas em pouco tempo resgataria.
Que teria que cuidar da minha família,eles precisariam de mim.
Que eu sofreria por ser assim,mas muita coisa boa me esperava.
Porque faço assim?
Porque é tão incomodo?
Porque olha meu sorriso e não compartilha?
O que te traz aqui?
Sabes tudo?
Porque então não sei nada?
Pensar que podemos ser diferentes e autênticos,sim,esta é a solução.
Usam para fugir,para criar neles próprios algo que talvez,não exista,ou exista ,só na imaginação.
O mundo cor de rosa espera todos chegarem,ele não se importa conosco,se ficar tarde,acaba.
Coragem.
Tem podridão no ar,tem algo sujo que não queremos ver.
Rasgar?
Além do horizonte,além daquilo que sabemos.
Já te falei das flores?
Do tanto que gosto delas?
Coloco-as sempre perto de mim,amanhecem e adormecem comigo.
Por favor,quem disse tudo isto?
Por favor,a janela tá aberta.
Por favor,não tem luz que passe por ela que nos cegue.
Por favor, é só querer enxergar.
Ladrilhos.*
Aquela que mexe os dedos para conter a ansiedade,não sabe o que espera.
Aquela que se enfeita para si,que se enfeita para todos.
Aquela que veste a roupa mais bonita para poder passear.
Aquela que deixa de confiar e confia cada vez mais.
Aquela que observa e fala,fala sem parar.
Aquela que vai ao banheiro e fica curiosa com a conversa ao lado.
Aquela que dança suavemente para sentir intensamente cada batida.
Aquela que suspira quando recebe um novo olhar,um novo cheiro.
Aquela que é agitada,passa despercebida por mil coisas.
Aquela que sorri para os outros e se adora em cada sorriso.
Aquela que pensa que um dia seu olhar será desvendado.
Aquela que não sofre por medo,mas sim pela coragem.
Aquela que resgata os primitivos instintos e quer ser ninguém quando espera ser alguém.
Aquela que entende tudo mas não precisa entender tudo.
Aquela que respira cada vez melhor,aos poucos.
Aquela que gosta de vermelho.
Aquela que valoriza pequenos detalhes,e os mostra.
Aquela que é louca por conversas na madrugada,com aquele que não conhecia.
Aquela que gosta da mão na nuca,e nem sabe disto.
Aquela que é demorada para compreender.
Aquela que adora a rua.
Aquela que adora a liberdade.
Aquela que se orgulha pelos outros.
Aquela que se orgulha de si.
Aquela que sabe que precisa mudar.
Aquela que sabe que todos mudaremos.
Aquela que para no balcão e o mundo para.
Aquela que gira.
Aquela que se perde.
Aquela que entra no carro e sai sozinha.
Aquela que quer saber o que está fazendo aquela mulher com aquelas crianças esta hora da noite.
Aquela que doa todo seu amor.
Aquela que percebe que sempre terá para doar.
Aquela que ama a vida.
Aquela que usa seu vestido.
Aquela que está romântica.
Aquela que percerbe que estar assim é por nada.
Aquela que está feliz.
Aquela que roda o vestido até sumir.
Aquela que volta.
Aquela que traz.
Aquela que procura.
Aquela que sorri de novo.
Aquela que dorme,para morrer ali.
Aquela que acorda,para viver aqui.
Ladrilhos.*
Aquela que mexe os dedos para conter a ansiedade,não sabe o que espera.
Aquela que se enfeita para si,que se enfeita para todos.
Aquela que veste a roupa mais bonita para poder passear.
Aquela que deixa de confiar e confia cada vez mais.
Aquela que observa e fala,fala sem parar.
Aquela que vai ao banheiro e fica curiosa com a conversa ao lado.
Aquela que dança suavemente para sentir intensamente cada batida.
Aquela que suspira quando recebe um novo olhar,um novo cheiro.
Aquela que é agitada,passa despercebida por mil coisas.
Aquela que sorri para os outros e se adora em cada sorriso.
Aquela que pensa que um dia seu olhar será desvendado.
Aquela que não sofre por medo,mas sim pela coragem.
Aquela que resgata os primitivos instintos e quer ser ninguém quando espera ser alguém.
Aquela que entende tudo mas não precisa entender tudo.
Aquela que respira cada vez melhor,aos poucos.
Aquela que gosta de vermelho.
Aquela que valoriza pequenos detalhes,e os mostra.
Aquela que é louca por conversas na madrugada,com aquele que não conhecia.
Aquela que gosta da mão na nuca,e nem sabe disto.
Aquela que é demorada para compreender.
Aquela que adora a rua.
Aquela que adora a liberdade.
Aquela que se orgulha pelos outros.
Aquela que se orgulha de si.
Aquela que sabe que precisa mudar.
Aquela que sabe que todos mudaremos.
Aquela que para no balcão e o mundo para.
Aquela que gira.
Aquela que se perde.
Aquela que entra no carro e sai sozinha.
Aquela que quer saber o que está fazendo aquela mulher com aquelas crianças esta hora da noite.
Aquela que doa todo seu amor.
Aquela que percebe que sempre terá para doar.
Aquela que ama a vida.
Aquela que usa seu vestido.
Aquela que está romântica.
Aquela que percerbe que estar assim é por nada.
Aquela que está feliz.
Aquela que roda o vestido até sumir.
Aquela que volta.
Aquela que traz.
Aquela que procura.
Aquela que sorri de novo.
Aquela que dorme,para morrer ali.
Aquela que acorda,para viver aqui.
Segunda-feira, Março 13, 2006
Faz tempo, é agora.*
24 anos,penso em como uso desta idade para quem sabe,de repente,ser aquilo que eu espero que eu seja,o que estou fazendo por mim?Cade meu tempo?Adolescencia passada intensamente,com todos,todos meus direitos vividos,chego no espelho e vejo uma mulher,não,não sou mulher,quero ser menina,quero ser ainda ciumenta,onde ele foi parar?Sinto me mais segura?Tenho tudo que quero?Pintar minhas unhas me traz uma felicidade imensa,adoro fazê-las,crio nelas expressões que só eu consigo presenciar,elas dançam com o feminino,abrem minha imaginação.
Não gosto de escrever com perguntas ao longo do texto,tentarei evitá-las.
Tem chuva lá fora.
Um jazz toca,passeio por ele junto com pensamentos de uma garota indefesa,pequena,trancada e com medo, muito medo.Medo que avassala meus instintos,que me transforma em uma pessoa,aliás,em outra pessoa.Hormônios me provam nossa fragilidade perante tantas opções,tantas vidas mal vividas,tantas conversas de boteco,a televisão ligada em qualquer canal,nossa influencia.
Conseguir a forma correta de caminhar,não a quero não,quero somente um abraço,recepção,uma intensidade que há tempos não me vem.Acho que não existe,as pessoas não estão aqui,sentir como uma borboleta sem pouso,a fragilidade de uma pétala de rosa e sua maciez,os olhos lindos verdes daquele rapaz. Isto suga,manipula,obedece aos comandos mais primatas de nossa existencia,quão idiotas somos!
Pensar em tudo é pensar em nada,tenho a prova disso hoje,algo me corrói,algo muito forte me toma,incomoda,não quero essa invasão,não sou assim,voces estao enganados!
Venha ver,tudo está a mostra,o que mais você quer saber?Meus mais profundos segredos,mais tenebrosos e lindos desejos , amargos medos;minhas loucuras em mente,minhas risadas contidas,meus pensamentos infantis,minha voz ao cantar,meu choro,minhas manias,meus cds impecáveis,minhas fotos nao tiradas,meus desenhos em mente,meu corpo ao espelho,minha observaçao ao me maquiar,minha forma de olhar,esta meu pai sempre se incomoda,diz ser ao mesmo tempo profunda e distante,ele nunca sabe.
Chega.
Não quero mais essa brincadeira.
Ser de ninguém,de lugar algum,talvez seja mais interessante,esta nossa mania de sempre pertencer á algo,a principios,religioes,familias,objetivos,nossa,isso me dá arrepios.Sentir meu corpo sublime,livre de qualquer ato tão pensado,o vento no pescoço,as mão macias,o corpo dança como em um ritual,estes sim eu gosto.Os quadris ouvem a bela nota musical e se encaixam na música,assim como soa tão lindamente o som da pétala ao cair no chão,com a demonstração mais linda da lei da gravidade.
Não pensar em nada é pensar em tudo.Tudo vem tão intenso,tão depressa,necessitamos de mais tempo,mais calor,mais vida para tudo isso,não aguento isto sozinha,alguém me ouça,alguém queira os impulsos dominando,o não pensar presente,queiram,ouçam,´não é mais voce,são suas vontades,tirem-nas daí.
Não estou sendo enganada,eu sou responsável pelos enganos,por todos,todos.Agir,agir,agir,de forma fulgaz,ninguém verá,niguem entenderá,mas o que me importa?
Só eu que entendo minhas unhas mesmo...
Afinal,somos o que desejamos ser,e assim nos tornamos.
Seja,Tô.*
Quer dizer,sem só um tema,costumo ter sempre concentração e para isto fixo em um assunto só,é,não só escrevo assim,vivo assim também.
Estou mais concentrada acho,vivendo mais serio as coisas que me são oferecidas.
Sempre fui uma pessoa com sorte.Ontem assisti Ponto Final,pensei na minha sorte,pensei que deveria ler Crime e Castigo de novo,eu o li meio que obrigada na época em que fazia teatro,e quando fazemos algo assim,não absorvemos.
Sinto falta do teatro,sinto falta do palco.É um amor que é construído com você mesmo,você se conhece e se apaixona por aquilo que consegue representar,e se apaixona pela vida das outros,não à toa,você é,por muito tempo,os outros.
Hoje vivo algo parecido,meu trabalho é representar,mas a mim mesma,nada vem por acaso,utilizo o teatro,sempre,acho que todos,uns com técnica outros sem saber como utilizá-las,outros sem saber que elas existem.
Sinto falta de um monte de outras coisas,mas nada me deixa tão feliz em ver como é minha vida hoje.A gente cresce,de repente fala uma frase que nunca falaria,grita com quem nunca gritaria,chora com quem nunca choraria,veste coisas improváveis,dança sem saber o ritmo e logo aprende e os gostos,ah,como eles mudam,vão de encontro com sua evolução.
Não reclamo da rapidez que tudo acontece,acho que assim fica mais intenso,mais vivo.Reclamo só se esta rapidez não me deixar aproveitar o que ela tem pra oferecer,mas aí faz parte,não aceito,mas faz parte.
To trabalhando demais,fazendo novos amigos,sempre com os antigos amigos,adorando tudo que eu faço,criando sempre coisas para encher meu tempo,me matriculei em um curso novo,andando no parque,indo mais ao cinema,bebendo menos eu acho,dançando demais eu acho,to comprando gérberas toda semana,to mais organizada,to mais crítica e falando o que eu penso,to sem medo,com vontade de não perder um minuto,mais sensível e menos racional,acho que cansei de ser racional,não sei,vamos ver se consigo.
Tô me expondo demais,talvez seja este o motivo da minha alta sensibilidade,expor siginifica abrir,experimentar e tô com vontade,muita.Não sei se quem lê aqui quer saber de mim ou do que escrevo,mas desculpe,ás vezes Narciso não acha bonito aquilo que não é espelho.
Que saudade do teatro.
Quinta-feira, Março 09, 2006
Nunca geléia hoje.*

Quero ser como antes,pensar que ninguém conhece meus defeitos,nem eu.
Pensar que podemos beber até cair,gritar até ficarmos rocos e acordar a hora que for.
Quero ouvir Men at Work bem alto e achar o máximo.
Quero ir em raves e achar o máximo também.
Quero subir no sofá e dançar.
E depois me comportar como se nada tivesse acontecido.
Quero começar a viajar sozinha.
Quero ficar apaixonada por ele.
E ligar pra ele toda noite.
Quero almoçar besteiras.
Quero aprender a dirigir.
Quero ter amigos novos.
Quero não gostar do namorado dela.
Quero aprender a fumar.
Quero sair toda sexta - feira.
Quero ir ao shopping.
Quero rir muito de quarta a tarde.
Quero comprar aquele tênis.
Quero entrar na faculdade.
Quero brigar com meus pais.
Quero gravar o show da Madonna.
Quero não saber o que fazer a tarde.
Quero andar de ônibus.
Quero ir no centro da cidade almoçar.
Quero achar o Axl Rose lindo.
Os do New Kids também.
Quero reclamar do centro da cidade.
Quero ir ao clube.
Quero treinar todo dia de manhã.
Quero dar meu primeiro beijo ali na esquina.
Quero dançar no espelho,sozinha.
Quero ouvir aerosmith e gritar pela casa.
Quero assistir MTV e querer ser como eles.
Quero experimentar maconha.
Quero escrever na minha agenda.
Quero ir ao show do Bon Jovi(sim,como não?)
Quero festa surpresa na minha casa.
Quero gostar de inglês.
Quero dançar Don´t Talk Just Kiss na sala.
O disco,claro.
Quero aprender que Smiths é a melhor banda.
Quero fumar na sacada do quarto.
Quero morar em Santa Catarina.
Quero saber que onde quero eu estou.
Terça-feira, Março 07, 2006
Uma pausa.*
Um senhor,de lá pra cá,de cá pra lá.
Andava pra fazer exercício,andava para olhar pro chão,andava por andar.
Eu estava sentada,buscando algo para fixar meu olhar,e de repente ele surgiu,de novo e de novo.
Estava arrumado,de sapato,camisa e celular no bolso,quem ligaria para ele neste momento?Não deveria atender,eu não deixaria,defenderia ele.
Crianças brincando no pátio,me deu vontade de ficar com elas,de correr como elas.
O tio vende salgadinhos e pipoca,e fala sozinho,como fala sozinho.
Eu estava sentada,sem perceber tinha tudo para mim ali.
Ele quer andar,ele quer vender,elas querem gritar.
Eu to sem força pra levantar,não posso seguir vocês.
Não sei o que quero fazer agora,eles tomaram decisões,eu não.
Desculpe,fico só olhando.
Fiz demais,agora paro,ufa.
Dificil querer andar de um lado pro outro.
Difícil viver sozinho em frente a uma barraca de guloseimas.
Dificil não saber o que vem pela frente.
Fácil é ver e entender.
Eu levantei,andei junto a ele.
Olhei pro lado,não desviou o olhar,seguiu com seu objetivo até o fim,concentrado.
A roupa arrumada e o cabelo penteado mostra segurança.
Tem o sol brilhando e as árvores.
Não quis nem saber.
Pra que olhar o todo se algo tão pequeno te conforta?
Seguir até o final da marquise era sua vitória.
Eu entender isto fez meu dia mais alegre.
Meu celular tocou e também não atendi.
Não quero agora.
Coisas pequenas me confortam.
Tenho que chegar até o final.
Sendo no comprimento da marquise
Ou na imensidão dentro de mim.
Poema ,só poema do ney agora.**
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presentePassado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.
Segunda-feira, Março 06, 2006
Sem fim,cidades.*
Uma mulher atravessou na minha frente,correndo.
A segui com meu olhar curioso.
Ela foi encontrar seu amor lá do outro lado da rua.
Abraçaram-se como um casal apaixonado.
E eram,e são.
Nesta hora toca Paulinho.
Eu fiquei atônita.
Juro,eu chorei.
Desculpa,estou romântica.
Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar
Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?
Domingo, Março 05, 2006
Cidade sem fim*
Mudei muito,sou mais mariana do que nunca,sinto certo isolamento de coisas banais e que agradeço por terem ficado para trás,são fases,acho eu.
Tô mais segura,mais independente de tantas opiniões e mais exigente também,muito,como estou.
Tenho uma prima,não somos próximas hoje por conta de desavenças familiares e tal,mas quando crianças éramos muito amigas,minha casa era sua casa e vice-versa.
Lembro que tínhamos os mesmos brinquedos,os mesmos gostos,as mesmas brincadeiras,e ,nessa época eu gostava(quem nunca passou por isto?) do meu primo,o irmão dela,sei lá se gostava,são aqueles primeiros indícios que podemos nos apaixonar,não naquela hora,mas iremos um dia,pois é,a vida é sabia.
Sempre guardei isto pra mim pois ele é mais velho e tinha uma namorada que eu morria quando a via.
Chegava em casa,entrava no banho e chorava por horas,o motivo?Achava que minha prima não gostava de mim,achava que ninguém gostava de mim,não sei da onde vinha isto,ela não fazia nada para me sentir assim,mas eu me colocava na posição de vítima,sempre,sempre.
Isto passou,nunca entendi isto,talvez um dia entenda,me marcou muito,e sempre que estou numa fase meio pra baixo,lembro do que eu sentia naqueles momentos em que ficava sozinha sofrendo por não sei o que,lembro de como era ruim e logo me levanto.
Um dia passei por isto novamente.Estava na casa de uma amiga,entrei no banho e começou..depois de mais de quinze anos senti novamente aquilo que sentia quando era criança,são soluços incontroláveis e não se sabe de onde vem nem para onde vai.Estava com duas amigas e não conseguia explicar nada,fumei quase um maço de cigarro ,tive o colo delas,algumas palavras de anos de amizade,e juro,são importantes,e uma idéia de sair dali,estacionar seria pior.
Sentei no computador e escrevi,não lembro pra quem,nem o que.Passei em casa,peguei minha câmera e fomos no parque para tirar fotos,como me sinto bem tirando fotos,é um prazer único,pena que seja tão solitário.
Tenho estas fotos na ao lado da minha cama,ficaram bonitas.
Expor todo seu sentimento talvez seja a soluçao,dizem os mais intensos e impulsivos.
Guardo muitas informações comigo e me prejudica,busco identidades para compartilhar,mas no fim,acabo em mim.
Preciso mudar.
Eu quero mudar isto.
Preciso enxergar aquilo de verdade e deixar que o medo me tome completamente,pois só assim,crio coragem para enfrentar.
Minhas amizades eu busco,eu escolho,e como.
Escolher o que sente não é das tarefas a mais fácil.
Quando algo me agrada busco alegria ali sem parar,poxa,momentos bons tem que ser guardados e vividos.
Aprendi a falar mais e a escolher,não achar que tudo pode ser,porque nem tudo pode ser.
Aprendi a olhar mais,observar, e nesta fase eu já entro sozinha em mim,alguns me acompanham,alguns.
Sinto-me quase sempre em provas,em testes,onde pensar muito só faz perder o jogo.
Serei mais livre.
Serei forte para não cruzar com minha subjetividade sempre,e se cruzar,usá-la,mas com pé no chão.
Ser uma pessoa que pensa muito,que indaga muito,que escreve muito,que sonha muito,sim,esta sou eu,mas posso ser outra também,posso virar a mesa.
Algo falta nisto tudo,somos seres completos,acredito nisto,mas algo falta,falta eu explicar tudo isto que você está lendo,mesmo com esta linguagem fácil.
Seres humanos,são estes,somos um mas somos muitos,necessitamos do outro.
Prezo pela minha individualidade,por ia ao cinema sozinha,por andar na rua e rir sozinha,cantar dirigindo,cantar no banho,escrever,dormir quando quero,tomar decisões,dar minha opinião,cortar meu cabelo,pintar minhas unhas,dançar,gritar quando me sinto nervosa,fechar a cara quando vejo algo que não gosto,sorrir ao ver alguém que gosto feliz,sorrir quando estou feliz.Guardo isto,uso isto.
Posso sentir isto em dobro,posso sentir isto.Consigo ser aberta para tudo,para quem eu quero deixar entrar,eu posso,eu consigo.
Eu falo aqui de liberdade,de liberdade compartilhada.
Se você quiser eu vou te dar um amor desses de cinema
Não vai te faltar carinho sonho ou assunto ao longo do dia
Se você quiser eu largo tudo
E vou pro mundo com você meu bem
Nessa nossa estrada
Só terá belas praias e cachoeiras
Aonde o vento é brisa
Onde não haja quem possa
Com a nossa felicidade
Vamos brindar a vida,meu bem
Aonde o vento é brisa
E o céu claro de estrelas
O que agente precisa
É tomar um banho de chuva.
Sexta-feira, Março 03, 2006
O caminho*
Mas não consegui
Minhas pupilas dilataram
Meus olhos arregalaram
Minha cara fechou
Meu sangue esquenta
Borbulha
Minhas mãos trêmulas
Meus pensamentos sempre iguais
Meus sentimentos revirados
Minhas músicas no último volume
Meu jeito detestável
Minha repulsa
Minha respiração ofegante
Incomoda
Meu descontrole
Minhas razões
Sempre minhas razões
Minha paz se perde por uns instantes
Quero jogar o corpo no abismo
Quero trocar tapas
Minha pele pede
Quero subir em cima
Respirar junto
Derreter em palavras não ditas
Pego o vento no rosto
Ele só me esquenta
Tenho medo da reação
Da minha reação
Da minha atitude
É rápida
Mas também calma e intensa
Tenham medo todos
Sintam-se ameaçados
Arregalem os olhos também
É assim que lido
Eu dou risada
Até entenderem
Gosto de te conhecer
Arranco meus cabelos
Arranco minha roupa
Rasgo todos seus princípios
Não os achará mais
Jogo fora toda sua bondade
Sigam com o vermelho nos olhos
Um dia eu te encontro
E a gente sente junto
É perigoso
É objetivo
É fato
Cadê a coragem estampada na sua camiseta?
Onde vocês estão?
Bando de covardes
Apareça
Venha com sua face
Para eu agarrá-la
Para eu senti-la
Toda suja
Num beco
Encontre-me no beco
Lá onde não tem saída
Nem luz
Querem ver quando eu chegar
E eu te mostrar
Vou mergulhar de prazer
Vou gargalhar da sua fraqueza
Vou aprender que você não sabe ler
Me falará que você não serve
Bando de covardes.
Quinta-feira, Março 02, 2006
Todo dia de manhã*Gritos de Elis**
Agora o braço é uma linha,um traço,um rastro espelhado e brilhante.
E todas as figuras são assim: desenhos de luz,agrupamentos de pontos,
de partículas,um quadro de impulsos,um processamento de sinais.
E assim-dizem-recontam a vida.
Agora retiram de mim a cobertura de carne,escorrem todo o sangue,
pelas cidades,parecida comigo.
Um rascunho.
Uma forma nebulosa,feita de luz e sombra.
Como uma estrela.
Agora eu sou uma estrela.
Quarta-feira, Março 01, 2006
É coisa para..
Gosto de falar
Gosto que me entendam,ou não
Gosto de viver assim
Mas posso cansar
Muita informação para um só momento
Muita vontade de agarrar tudo que sinto
De dar aquele abraço apertado
Mas tá todo mundo olhando
Não quero platéia
Quero ser eu,com uma nuvem azul para poder sumir depois
Converso tanto,olho tanto
Paciência e a indagação
O que é amizade?
Até onde?
Sinto calor,sinto pecado
Terei que aparecer
Terei que assustar algo já esperado
Pra minha evolução será necessário
Muitos passos foram dados,falta-me este
É tremor,sentir,carinho
É dúvida
E as dúvidas andam cansando
Irrito com a presença delas,não quero pensar
Não tenho o que falar
Tenho o que escrever
Isto me dá medo
Não quero isto
Quero
Quero
Minha vida escancarada
Preciso saber como se faz isto
Preciso não ter barreiras
Preciso estar limpa
Preciso saber gostar
Preciso saber pedir
Preciso saber matar
Com medo
Pra poder sentir de verdade
Pra todo mundo ver
Quero platéia.
