Terça-feira, Setembro 19, 2006

...If they can't understand you.

..."-Apesar de tudo-continuo,após uma pequena pausa,teria gostado de que aquilo tivesse terminado de outra maneira.

-De outra maneira?Então havia outras maneiras de terminar?

-Teria desejado que aquilo não acabasse na cama-esclareceu Bernard.

Lenina ficou espantada.

-Pelo menos,logo no primeiro dia.

-Mas então...como?Ele começou a dizer-lhe uma porção de coisas incompreensivelmente absurdas e perigosas .Lenina fez o melhor que pode para não ouvir,espiritualmente falando.Mas a cada instante um fragmento de frase conseguia,à força de insistência,tornar-se perceptível. ..."para experimentar o efeito produzido pela repressão das minhas impulsões",ouvi-o dizer.Essas palavras pareciam soltar uma mola no seu espírito.

-Não deixes para amanhã o prazer que puderes gozar hoje-disse ela gravemente.

-Duzentas repetições,duas vezes por semana,dos catorze aos dezesseis e meio-disse Bernard como único comentário.E continuou a divagar,a falar das suas idéias insensatas e perniciosas.-Quero saber o que é paixão-ouvi-o dizer-Quero sentir qualquer coisa com violência.

-Quando o indivíduo sente,a sociedade ressente-se,declarou Lenina.

-E então!Porque não há-de ela ressentir-se?Adultos intelectualmente durante as horas de trabalho,continuou-Bebês no que diz respeito ao sentimento e ao desejo.A idéia veio-me subitamente,há dias:talvez fosse possível ser-se sempre adulto.

-Não percebo.Lenina fala num tom firme.

-Já sei.E eis a razão porque nos fomos deitar juntos ontem,como garotos,em vez de sermos adultos e esperarmos,declarou Bernard.

-Não importa-pensou Lenina-ele interessa-me verdadeiramente.Tem as mãos bonitas!E aquela maneira de encolher os ombros,como me atrai!-Suspirou-Mas gostaria que fosse menos esquisito..."

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