..."-Apesar de tudo-continuo,após uma pequena pausa,teria gostado de que aquilo tivesse terminado de outra maneira.
-De outra maneira?Então havia outras maneiras de terminar?
-Teria desejado que aquilo não acabasse na cama-esclareceu Bernard.
Lenina ficou espantada.
-Pelo menos,logo no primeiro dia.
-Mas então...como?Ele começou a dizer-lhe uma porção de coisas incompreensivelmente absurdas e perigosas .Lenina fez o melhor que pode para não ouvir,espiritualmente falando.Mas a cada instante um fragmento de frase conseguia,à força de insistência,tornar-se perceptível. ..."para experimentar o efeito produzido pela repressão das minhas impulsões",ouvi-o dizer.Essas palavras pareciam soltar uma mola no seu espírito.
-Não deixes para amanhã o prazer que puderes gozar hoje-disse ela gravemente.
-Duzentas repetições,duas vezes por semana,dos catorze aos dezesseis e meio-disse Bernard como único comentário.E continuou a divagar,a falar das suas idéias insensatas e perniciosas.-Quero saber o que é paixão-ouvi-o dizer-Quero sentir qualquer coisa com violência.
-Quando o indivíduo sente,a sociedade ressente-se,declarou Lenina.
-E então!Porque não há-de ela ressentir-se?Adultos intelectualmente durante as horas de trabalho,continuou-Bebês no que diz respeito ao sentimento e ao desejo.A idéia veio-me subitamente,há dias:talvez fosse possível ser-se sempre adulto.
-Não percebo.Lenina fala num tom firme.
-Já sei.E eis a razão porque nos fomos deitar juntos ontem,como garotos,em vez de sermos adultos e esperarmos,declarou Bernard.
-Não importa-pensou Lenina-ele interessa-me verdadeiramente.Tem as mãos bonitas!E aquela maneira de encolher os ombros,como me atrai!-Suspirou-Mas gostaria que fosse menos esquisito..."
Terça-feira, Setembro 19, 2006
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário