Olhos abertos e uma câmera na mão,um vidro,uma rua,um espelho,uma vida.
Tensões primatas que devoram os instintos,as cortinas não servem para nada,são escuras,não passa nada.
O pesar no ombro destruído e amargo como sua televisão,o choro travado e guardado pelo esquecimento do que foi a tristeza,do que foi o tempo passado,a gente apaga e pronto,e pronto.
Raízes abertas e o olho no olho para as caras mais lavadas,porque falaste para eles?A televisão é sincera?Você se esconde nela?
O que seu filho pensa de ti?Importa-se?O que o filme fala de ti?Importa-se?Não tem movimento,um filme sem personagens,sem história,o filme está no seu passado,é isto que tentam lhe mostrar,sua vida de hoje crua com a vida amarga passada,esta última preenche o vazio dos sons,o vazio do autor,o vazio dos humanos.
Morrer.Morrer significada acabar?Ficaste tranquilo agora?Dormirá com suas janelas escuras sem observar ao lado,sem se importar,necessita de remédios para se resguardar embaixo dos lençóis,pronto,ninguém sabe de nada,o protagonista foi para longe,irei dormir para morrer e acordar amanhã.
Um filme lento,agonia,dúvidas que somem e o tapa na cara casual de filmes europeus,como disse um amigo.
A história continua.
Resolva-se,caso contrário,todos serão envolvidos,e você,enganado mais uma vez.Por quem?Pela sua câmera,pelo seu espelho.
Falo de olhar para dentro.
Falo de quem está olhando.
Falo de quem poderá olhar.
Quinta-feira, Maio 18, 2006
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