Domingo, Maio 21, 2006

Cultura para quem tem cultura.*

Eventos populistas,inspirados na cultura européia de interação(é,dúvidas quanto a este último),São Paulo vive mais intensamente(se isto for possível) sua noite,sua história.Povos oriundos de não sei onde,que falam uma língua não sei o quê.

Tô lá na 15 de Novembro,rua histórica,localizada no centro da cidade,centro este usado por muitos como proposta de revitalização,da busca de um sentimento perdido pela urbanização desordenada.Prédios bem conservados,com outros usos,ruas largas para a passagem fulgaz dos transeuntes que ali utilizam por uma parte do dia.À noite,a rua morre,a noite,o dia já se foi e o que restará serão só lembranças ou a nossa aceitação pelo o que virá,recusar é o grito certo que devemos usar?

Colocaram um Dj,música eletrônica e a proposta para interagir,todos,todo mundo,venham quem quiser,é livre,grátis,não temos preconceitos nem olharão para você como um não habitante,não somos mesmos,não estamos nem aí,venho porque está seguro hoje,ou venho porque gosto.A dança se faz presente,miscelânia de cores,credos,falas,culturas.O garoto cheira a cola e pula,em frente a olhares não repressores,invadiram o seu espaço e ele mostrará quem é o dono do pedaço,tá me tirando malandro?

Andar pelo Viaduto do chá às 23:00 hrs,e admirar uma fonte poluída,o barulho das conversas,um garoto passa por nós e diz "só tem gente besta andando na cidade hoje".Quem gostaria de estar lá todos os dias?Sente aquele sentimento de perda?Sente que pode conquistar mais espaços?

Penso,como meus botões um tanto afogados no mar daquele socialismo esquecido e não praticável,pode-se utilizar cada vez mais da integração,do uso livre dos espaços,do habitar sem medo,da nossa convivência,ideal para as cidades,o menino que cheira cola dança e sente a música como eu,ele toca para quem quiser ouvir,dizer não aos intimistas,aos que preservam demais suas opiniões e usufruem dela para selecionar seu convívio,ao enclausuramento de rostos e vozes,ao desespero de quem fica e não sabe como chegar.

Buscar sua face nas mais escondidas,escolha,viva e sinto os que não escolhem aquilo que é seu,entre no seu carro e leve para sua casa um espírito mais aberto para novas descobertas,novos rumos,novas esquinas escuras.

A música eletrônica entra, minha paixão por ela aumenta,o centro da cidade reverbera tudo aquilo que poderíamos ser,os que alguns buscam,outros que perdem.Viro na rua desconhecida e me conheço.
Siga em frente,para finalizar uma dança exorcizada,pulos de alegria,pernas cansadas e vivas.Tudo isto é meu,sou tudo isto.

Afinal,muçulmanos também amam,e tenho dito.

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