Essa coisa de amor me parece doida.Primeiras palavras dentro de uma cabeça que não sabe o que sente, que não sabe o que pensa.
Ele vem como um vento, mas eu fujo dele, mas fujo?O vento não sopra em outra direção?Como saber quando senti-lo?Lembrar da historia de vovó “um dia ele vem”.
Desculpa.
Torno-me cética, fria, calculista, covarde a esperar algo subjetivo demais para esta formação tão racional.
Seria perfeito viver de amores, mas sou fraca para isto.Não sei viver amando, sei viver andando,posso andar amando?Não sei viver pra alguém, temos que viver pra alguém?Me perco neste e não saio mais.Vivo tão profundo e virá tão sagrado pra mim que tenho atitudes desnecessárias, irreais, coisas só do meu mundo que acho as mais importantes.Quero que o outro me entenda, quero que o outro seja eu, goste do meu suco, do meu livro, quero eu ao meu lado, e quando vejo que me apaixono por algo que não sou eu, busco eu novamente, cadê eu?Eu não existe, por isto não vivo, por isto permaneço nesta rede, jogos sujos, limpos, não sei diferencia-los, prefiro não tê-los, não quero saber o final.
Certa vez vi um filme que falava sobre formas de amar, ou mesmo de se apaixonar, três formas de viver com o sentimento.
O primeiro, me parecia comum, a busca de um outro corpo em uma crise conjugal e depois o retorno a esta.
A segunda, um amor imaginário, mesmo convivendo diariamente como um casal apaixonado não era necessário, algo faltava, nem a busca por especialistas o fez perceber que o amor estava bem ao seu lado, sempre esteve, sim, estas são crises pessoais, egocêntricas demais para se dividir, e são resolvidas assim, sozinhas, uma hora você acorda mais feliz, o outro nem percebe o que se passou.
A terceira, um amor impossível, longe de se tornar palpável, o convívio diário sem o afeto apaixonado, um relacionamento que acontece só na mente, uma imagem é criada, a vida move-se de acordo com historias criadas, nada mais é real, não se consegue nunca concretizar, de tão fantasioso, contatos estabelecidos, contatos presos pelo medo e pelo desespero que o amor toma no seu peito, ele levanta da cama, não consegue.Ela morre, ele tenta, mas não consegue salvá-la.
O que será dele, não sei, me pergunto também.
Sábado, Dezembro 10, 2005
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