Eu tiro foto aqui.
Eu vejo eles ali.
Está garoando e eu vejo sorrisos.
A batalha do dia-dia transportada.
Um lindo poema a ser concretizado.
A comunicação nos seus meios mais acessíveis.
Paro de pensar em você,o que mais importa agora é o suor.
Me levo para mundos nunca vividos,interagir talvez seja a nomeção correta.
Nas minhas aulas aprendi que todos tem direito.
Na minha vida aprendi que não,é necessário lutar por ele,e eles lutam,como lutam.
Sem questionamentos sobre a crença do modo de trabalho,para isto temos os grandes intelectuais,deixamos as contradições para uma hora mais técnica.
Com o fortalecimento de valores,conheço meu futuro vizinho há anos,não vivo sozinho.
Parece-me curioso quando a nossa elite contribue para a criação do senso de comunidade nas populações mais carentes,vemos campanhas pela mídia,doações usadas como promoção do seu papel na sociedade;vemos trabalhos com grande potencial sendo desenvolvidos em pequenos e escondidos lugares,e nunca é colocado se esta mesma classe,esta dita elite,habitantes dos locais providos de mais infra-estrutura da cidade,se estes são ou vivem em parte na comunidade que tanto criam e buscam nas nossas periferias.
Observe.
A solidão é latente,vive-se cada vez mais apertado e dominado.
Pena destes?
Sorte daqueles?
O olhar preto e branco-poético-político da periferia,do subúrbio, é exposto em galerias em que os protagonistas não acessam.
Ver na sua realidade é a questão.Enxergar-se é dificil e doloroso.Ambas as partes são culpadas,a contradição mora ao lado.
Você fecha o vidro no farol,você tem medo de tiros,você não tem a roupa certa,você não escreve certo,você não lê meus livros nem assisti meus filmes,você não entende minha simplicidade,minha linguagem da rua,você não vai ao parque,você não deixa seus filhos brincarem com os meus,você não gosta do que faz,você não tem oportunidades,você ri ninguém entende o porque,você pode nos ouvir.
Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
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